Montenegro pôs os portugueses a aquecer? Opinião de Filipe Luís
Os telefonemas do primeiro-ministro para o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, para o selecionador nacional, Jorge Jesus, e para o jogador de futebol Cristiano Ronaldo são, no seu conjunto, uma peça de opereta de um País do terceiro mundo. Claro que Luís Montenegro, além dos proventos de popularidade que esperava obter, pôde invocar razões de Estado: alegadamente, está preocupado pelo impacto que a saída inopinada de Cristiano da Seleção Nacional terá na imagem internacional da equipa, na FPF e, em última análise, na própria imagem do País. Não o preocupa o impacto que tem, na imagem do País, Portugal ser o Estado da União Europeia que mais regrediu nos índices de qualidade da democracia, nos últimos cinco anos, conforme está bem explícito no relatório sobre O Estado Global da Democracia 2026 do International IDEA (International Institute for Democracy and Electoral Assistance) que aponta para quebras significativas nos indicadores referentes às liberdades civis, à liberdade de expressão e à credibilidade dos processos eleitorais, desde 2020. Também não o preocupa a queda vertiginosa nos resultados dos nossos estudantes nos testes do PISA. Ou o 46º lugar no índice da perceção da corrupção, que coloca Portugal entre os piores registos da Europa Ocidental. Não: o que preocupa Montenegro é o “desmame”, que teria de se dar nalgum dia, de CR7 da Seleção Nacional.
Luís Montenegro não telefonou ao presidente da FPF para alinhar estratégias para o Mundial de 2030, que será disputado em Portugal, Espanha e Marrocos. Nem para discutir incentivos do Estado à formação desportiva ou qualquer outra política pública de incremento do desporto. Não: Luís Montenegro telefonou para meter o nariz num assunto interno da equipa e do seu balneário.
Bem pode o ministro da Economia, Castro Almeida, vir dizer que Cristiano Ronaldo é um “ativo inestimável para a projeção da marca Portugal”. Cristiano há........
