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Dizer tudo, como os malucos. Opinião de Filipe Luís

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30.04.2026

1. No seu discurso do 25 de Abril, José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República e segunda figura do Estado, “disse tudo, como os malucos”. E esta frase, na boca do povo, costuma ser mais um elogio do que uma crítica. Normalmente, define um discurso inconveniente, que corresponde ao que muitos pensam e poucos têm coragem de dizer. Mas também tem um lado problemático: é um discurso que não pondera, que não contextualiza e que não relativiza. Um discurso sem arestas limadas, que leva tudo à frente e mistura verdades inconvenientes com (neste caso concreto…) lavagens convenientes. Numa surpreendente intervenção, muito pouco adequada ao que costumam ser os padrões para este tipo de datas, o presidente da Assembleia da República aponta, e bem, a principal ameaça à democracia: a falta de identificação entre eleitos e eleitores, a falta de credibilidade da classe política – que funciona como casta, ou bolha – e o divórcio discursivo entre a realidade e a construção mediática da política. De caminho, enquanto critica o populismo que cavalga estas perceções, Aguiar Branco comete a ingenuidade de certificar, ou validar, essa mesma “cavalgada”, reconhecendo, ou dando a sensação (talvez errada) de que reconhece, a pertinência do discurso político que pretende denunciar. Aguiar Branco disse, embora de forma sofisticada, o que o “Zé das Iscas” costuma dizer, na sua roda de amigos, quando comenta os chavões de qualquer dirigente populista: “O homem diz muitas verdades!”

Aguiar Branco está certo, portanto, no diagnóstico, mas errado na receita. É verdade que há uma preocupação excessiva com o escrutínio e que a transparência, nos nossos dias, em vez de ser um meio para credibilizar a atividade política, se transformou num fim em si mesmo. Comentando o problema das “portas giratórias” − isto é, a obrigação do........

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