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A escalada de Seguro e o ‘Pac-Man’ Ventura

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22.01.2026

Há apenas um mês, António José Seguro ainda era o patinho feio das sondagens, com pouquíssimas hipóteses de passagem à segunda volta. Ainda antes disso, um glamoroso evento da CNN, em Alcobaça, incluía os “quatro candidatos principais”, excluindo do lote João Cotrim de Figueiredo. Foi a pulso que ambos os candidatos foram subindo, mérito próprio de campanhas sólidas, competentes, bem dirigidas e com protagonistas de discurso coerente e credível, acima da pequena política. Parece que essas qualidades, haja esperança, ainda rendem, eleitoralmente…

É impossível avaliar que tipo de impacto teve, na votação de Cotrim, a semana horribilis correspondente à reta final da campanha. Teria batido André Ventura no photo finish? O mais certo é que os azares finais não tenham tido qualquer efeito. O resultado de Cotrim corresponde, mais ou menos, ao pico das suas sondagens, que em muito já tinham ultrapassado as expectativas iniciais.

Posto isto, o anúncio da inevitável vitória de Seguro na segunda volta é, manifestamente, se não exagerado, prematuro. A vitória do candidato moderado está longe de ser favas contadas. Como escrevi aqui, na semana passada, Ventura era o melhor adversário que Seguro poderia ter, na segunda volta, devido à taxa de rejeição do líder da direita radical e populista. Com uma maioria sociológica de direita, poderia perder para qualquer outro dos concorrentes, em relação aos quais não teria a vantagem de maior moderação e superior credibilidade, estando, nestes capítulos, mais ou menos em igualdade de circunstâncias. Mas, de igual forma, Seguro seria o melhor adversário que Ventura podia desejar. Explorando a tal maioria sociológica e eleitoral, o líder do Chega fará da pugna um confronto direita-esquerda ou, melhor ainda, entre a direita e o “socialismo” (deliberadamente ignorando que socialismos há muitos). E a........

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