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A vida está mais cara. E agora?

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02.10.2026

Há uma pergunta que merece ser feita sem rodeios, quanto custa, hoje, viver em Portugal?

A resposta não está apenas nas estatísticas da inflação. Está no supermercado, na fatura da eletricidade, na renda ou na prestação da casa, no combustível, nas despesas escolares dos filhos e na dificuldade crescente em conseguir chegar ao fim do mês com algum dinheiro disponível.

Os números confirmam aquilo que muitas famílias sentem diariamente. Em agosto de 2026, a inflação homóloga atingiu 3,3%, enquanto os produtos energéticos registaram uma subida de 12,2 por cento. Mas há uma realidade que uma taxa de inflação, por si só, não consegue traduzir: quando os preços sobem, não regressam automaticamente ao nível anterior quando a inflação abranda. O que ficou caro continua caro.

É precisamente aqui que começa o problema.

Uma família que viu aumentar significativamente o preço da habitação, da alimentação, da energia ou dos transportes não sente maior tranquilidade porque a inflação média é inferior à registada há alguns anos. O que determina a qualidade de vida é o rendimento disponível depois de pagar as despesas essenciais. E, para muitos portugueses, essa margem está cada vez mais reduzida.

A habitação é talvez o exemplo mais evidente. No segundo trimestre de 2026, os preços das casas aumentaram 16,5% face ao mesmo período do ano anterior. É uma subida que torna ainda mais difícil o acesso à habitação, sobretudo para jovens e famílias que dependem exclusivamente dos seus rendimentos do trabalho.

Perante esta realidade, falar apenas de aumentos salariais é insuficiente. Um salário pode crescer 2%, 3% ou 4% e, ainda assim, uma família fica pior se as despesas fundamentais crescerem significativamente........

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