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A habitação não tem partido

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24.10.2026

As manifestações realizadas, no Porto e em Lisboa, em defesa do direito à habitação merecem uma reflexão que vá além das palavras de ordem, das bandeiras partidárias e das interpretações convenientes de quem procura transformar cada acontecimento numa oportunidade política. Porque quando falamos de habitação, falamos de pessoas, de famílias, de projetos de vida e de uma das necessidades mais básicas de qualquer ser humano. 

Seria ingénuo ignorar que, entre os participantes, existem ativistas com ligações, agendas e interesses políticos próprios. Em Portugal, como em qualquer democracia, há quem procure aproveitar causas populares para reforçar posições ideológicas, ganhar protagonismo ou fragilizar adversários. Isso acontece na habitação, como acontece noutras áreas da vida pública. Fingir que não existe seria fechar os olhos à realidade. 

Mas seria igualmente injusto, e profundamente errado, reduzir manifestações desta dimensão à ação de alguns ativistas ou à estratégia de determinadas forças políticas. Há muito mais gente nas ruas do que aqueles que procuram um palco. Há cidadãos genuinamente preocupados, jovens que não conseguem sair de casa dos pais, trabalhadores que entregam uma parte incomportável do salário à renda, famílias que vivem com a incerteza de não saber se conseguirão continuar na casa onde construíram a sua vida. 

Essas pessoas não precisam de filiação partidária para sentir a pressão do mercado imobiliário.........

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