Prémio Laranja Amarga para as medidas recauchutadas de um Governo empanado
Com a solenidade e dramatismo dos grandes momentos da Pátria, o primeiro-ministro anunciou ontem uma declaração ao País no horário nobre dos telejornais para revelar medidas de combate às dificuldades económicas que afetam a vida dos portugueses.
A esperança era que desta vez não se tratasse, como já sucedeu, da comunicação solene de uma rusga policial com avisos sobre riscos securitários no sétimo país mais seguro do mundo ou para se lamentar, sem direito a perguntas incómodas, sobre a curiosidade pública sobre as atividades da sua empresa familiar que o levaria a provocar umas eleições desnecessárias para evitar o escrutínio mais apurado dos factos.
Afinal, a desilusão voltou a tombar sobre os cidadãos incautos que atrasaram o jantar para saber o que iria mudar nas suas vidas, na semana em que se anunciam os aumentos dos combustíveis para máximos históricos. O que se assistiu foi à reapresentação, sem o aborrecimento das interpelações dos deputados da oposição e a perturbação dos dichotes e apartes parlamentares, das medidas já declamadas no debate da moção de censura da semana passada e a extensão até ao final do ano das medidas minimalistas de mitigação dos efeitos do aumento dos combustíveis.
O padrão seguido repete as medidas eleitoralistas dos dois anos anteriores, com excessiva propaganda para o impacto........
