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Prémio Laranja Amarga para a política de migração sem espírito cristão

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O Papa Leão XIV fez a sua primeira grande visita pastoral europeia a Espanha centrada na questão da dimensão humanitária das migrações, que culminou na visita ao “cais da vergonha”, nas Canárias, onde chegaram milhares de migrantes e quase 3 mil morreram a caminho, no Atlântico. A economia espanhola, que acabou de regularizar mais de 500 mil imigrantes, é, neste momento, a que mais está a crescer na zona euro, afastando-se cada vez mais da evolução anémica da economia portuguesa, em abrandamento desde 2023.

Em tempos de expansão do discurso de ódio e da xenofobia, o Papa não poderia ser mais cristalino ao evocar o Evangelho de São Mateus quando Jesus se colocou na pele do estrangeiro dizendo: ”eu era estrangeiro e vocês me acolheram.” Concluindo, afirmou no dia 12 de junho, data da entrada em vigor do novo Pacto Europeu sobre Asilo e Migrações, que “a dignidade não tem passaporte”.

Os horrores da II Guerra Mundial e a tardia consciência da dimensão inominável do Holocausto estiveram na origem da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pelas Nações Unidas em dezembro de 1948, e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem de 1950. A Europa é o maior espaço económico global, um espaço de livre circulação para 450 milhões de pessoas e historicamente um destino de abrigo para os que fogem de perseguições, sonham com a liberdade ou buscam uma melhor vida para si e para os seus filhos.

A guerra civil da Síria determinou, em 2015, uma situação de emergência que trouxe à Europa quase 2 milhões de pessoas, que atravessaram os Balcãs a pé ou cruzaram o Mediterrâneo com grave risco de........

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