Laranja Amarga para o Governo que nada aprendeu com as tempestades naturais e eleitorais
Após dois adiamentos do debate quinzenal, evitando o escrutínio parlamentar até achar que o descalabro político-climático das últimas semanas estava já sob controlo, Luís Montenegro apresentou-se na Assembleia da República de mãos vazias de respostas e soluções e com o peito cheio de prosápia e autoconvencimento.
Surpreende a forma como a doçura das oposições poupou Montenegro ao confronto com a derrota a duas voltas nas eleições presidenciais, como se os 11% do candidato do Governo e a deserção de campo na segunda volta fossem um longínquo sonho mau, já superado por uma liderança enérgica apta a ultrapassar todos os obstáculos de um primeiro-ministro que só teve 31,8% dos votos e só conta com 39,5% dos deputados.
Mas igualmente no inevitável confronto com a perigosa experiência de um Governo que falha sempre nos momentos críticos, ao colocar a gestão política e a distribuição de anúncios de apoios à frente da prevenção de riscos, é deveras surpreendente como é possível, três semanas depois da tempestade Kristin, Luís Montenegro passar pelo debate parlamentar sem conseguir indicar o seu terceiro Ministro da Administração Interna em menos de dois anos e sem dar qualquer detalhe sobre o anúncio requentado do novo........
