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O último é um ovo podre, e o primeiro também

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03.04.2026

As leis do nosso país são demasiado restritivas. Temos um edifício legislativo que nos amarra a conceitos antiquados e que, na verdade, não nos permite explorar verdadeiramente todo o nosso potencial, a nossa vontade, a nossa ambição, a nossa liberdade.

Já perdi a esperança de mudar significativamente as nossas leis por causa de empecilhos que se agarram a questões de pormenor e não deixam o País andar para a frente. Por isso, o ideal seria um sistema de concorrência dentro do qual os indivíduos poderiam escolher o enquadramento jurídico que mais lhes conviesse.

Por exemplo, tenho aqui uns inquilinos que me estão a dificultar a vida. Queixam-se de tudo e mais alguma coisa, não querem as paredes pretas de bolor, a máquina de lavar avaria, os estores não descem, enfim, é gente que só está bem a queixar-se. São um casal homossexual — e atenção que eu não tenho nada contra homossexuais! —mas eu podia, imaginem, “tratar-lhes da saúde” e depois mandá-los para a Arábia Saudita onde, graças à sua legislação competitiva, não seria crime.

Aos olhos das pessoas que não conseguem ter uma perspetiva de futuro, poderá parecer uma ideia bizarra, sei-o, mas será assim tão diferente de uma empresa que, gerando lucros num determinado país, os move para outro que, com um quadro legislativo diferente, lhe permite pagar menos ou nenhuns impostos?

Mil milhões de euros. Segundo a Tax Justice Network, é quanto se estima que Portugal perde todos os anos em impostos devido a elisão e evasão fiscais. São dois hospitais de grandes dimensões.

A ideia é simples: no mesmo mundo em que há cada vez mais barreiras aos movimentos de pessoas em busca de uma vida melhor, floresce a ideia de que o capital deve ser livre. É nessa........

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