Jovem, vem apaixonar-te pelo teu país
Estávamos em 1999 ou 2000, não me recordo exatamente. O país navegava na crista da onda depois de uma gloriosa Expo’98 que, dizia-se, nos colocou no mapa do mundo. Naquele final de manhã particularmente quente, eu tinha apanhado o comboio desde a Marinha Grande até Lisboa e depois o metro até ao Campo Grande. O objetivo era descer a Avenida da República a pé (quão grande poderia ser?) até encontrar a Avenida Barbosa du Bocage, onde se encontrava o Gabinete do Serviço Cívico dos Objectores de Consciência (GSCOC).
Com um telemóvel na mão que me permitia pouco mais do que enviar SMS e jogar serpente, sem mapa da cidade, este pequeno rapaz de 17 ou 18 anos pouco habituado a praças maiores do que a Rotunda do Vidreiro teria de confiar na memória do mapa que tinha visto e na fé de que, mais cedo ou mais tarde, algures entre o Campo Grande e uma coisa chamada Saldanha, haveria de encontrar a rua que procurava.
Encontrei-a mesmo a tempo de escapar à insolação e subi até ao GSCOC. Uma senhora simpática perguntou-me o que eu queria e lá lhe expliquei que tinha ouvido falar desta coisa do estatuto de objetor de consciência e que o queria requerer. “Então e porque é que não queres ir à tropa?”, perguntou. Fiquei atarantado com a pergunta (quem conseguiria prever uma coisa destas?) e lá expliquei o melhor que pude: “Sabe, eu sou contra a existência de forças armadas e não reconheço qualquer tipo de autoridade à hierarquia militar para mandarem em mim…”
A senhora olhou-me compadecida. “Ah, mas é que a maioria dos requerimentos que são aceites são os que alegam motivos religiosos e assim… Isto de só não concordar com a tropa normalmente não resulta… Tu não queres seguir os estudos e ir para a Universidade?”. De facto, mesmo havendo na altura Serviço........
