A Inteligência Artificial está aí e pode ficar-nos com o emprego. E se isto fosse uma coisa boa?
Não digo que já correu muita tinta porque nos dias que correm é rara a tinta que corre, mas já muitos bytes de informação ficaram alojados em centros de dados por esse mundo fora à conta de artigos escritos sobre Inteligência Artificial (IA). Alguns deles, suponho, escritos pela própria.
Como muita gente se preocupa com os níveis de desemprego que podem disparar graças a estes avanços tecnológicos, perguntei a um modelo de IA o que achava disso:
“A Inteligência Artificial pode, sim, causar desemprego elevado em alguns setores, sobretudo onde as tarefas são rotineiras, previsíveis e fáceis de automatizar. Mas o efeito mais provável não é uma eliminação uniforme de empregos: é uma reconfiguração do trabalho, com perdas em certas funções e ganhos noutras.”
Pronto, assunto resolvido, não é. Usou um estudo da ONU e outro do FMI e cá vai disto: não há motivos para alarme, isto reconfigura-se.
É verdade que de cada vez que há um grande e repentino avanço tecnológico, os temores que nos invadem são semelhantes e giram quase sempre em torno do nosso medo de sermos substituídos pelas máquinas.
Foi assim com o início da Revolução Industrial, foi assim com o aparecimento dos computadores e é assim com a Inteligência Artificial. Trata-se uma entidade mais ou menos misteriosa que pouca gente sabe muito bem no que consiste para além de uma aplicação no telemóvel que nos tira dúvidas, e sabemos em abstrato que se trata de uma tecnologia que pode facilmente e de forma barata fazer o trabalho de milhões de humanos.
A angústia coletiva é justificável. Mas ela esconde uma lógica que nos........
