menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O duelo que vai moldar a próxima ordem económica

29 0
04.04.2026

Durante mais de três décadas, o sistema internacional viveu sob uma ideia simples: os Estados Unidos da América eram a potência dominante e, em última instância, o árbitro da ordem global. A queda da União Soviética consolidou essa realidade e abriu um ciclo em que o poder militar norte-americano, a profundidade financeira de Wall Street, a centralidade do dólar e a confiança no modelo liberal ocidental pareciam não ter rival credível. Esse mundo não desapareceu por completo. Perdeu, isso sim, a aura de inevitabilidade. Já não há a mesma autoridade, a mesma margem de manobra, nem a mesma capacidade de impor custos sem resistência.

A China está no centro dessa alteração histórica. O que Pequim fez foi notável e profundamente desconfortável para o Ocidente. Cresceu dentro da globalização, sem aceitar o pacote político e ideológico que muitos julgavam inseparável dela. Captou investimento, absorveu tecnologia, ganhou escala industrial, construiu campeões nacionais e reforçou o papel do Estado em setores decisivos. Não se ocidentalizou. Tornou-se mais forte, precisamente porque soube tirar partido da abertura económica, sem abdicar da sua lógica interna, da sua disciplina política e da sua visão estratégica de longo prazo.

Dois centros de poder

É aqui que o debate deve começar. Não estamos perante uma simples guerra comercial, nem diante de mais um episódio de atrito entre grandes potências. Estamos perante uma disputa entre dois centros de poder, com visões diferentes sobre economia, soberania, tecnologia, ordem internacional e até sobre a própria ideia de modernidade.

De um lado está a América, com a sua tradição liberal, o seu capitalismo de mercado e a sua rede de alianças. Do outro está a China, com uma combinação muito própria de planificação estratégica, controlo político, ambição civilizacional e pragmatismo económico. A competição é material, mas também é conceptual. Há dois modelos em confronto e o século XXI será, em boa medida, condicionado por esse embate.

A parte económica é a mais visível,........

© Visão