Ninguém nos ensinou a ser cidadãos
A democracia tem uma exigência curiosa: espera que os cidadãos participem, mas pouco garante que estes compreendam verdadeiramente aquilo em que participam.
Todos os anos discutimos a abstenção, o afastamento dos jovens da política, a desinformação crescente e a fragilidade do debate público. Multiplicam-se análises, comentários, diagnósticos e preocupações. Procuram-se explicações para a aparente indiferença de uma parte significativa da população perante os assuntos que moldam a vida coletiva.
Mas como podemos exigir participação democrática de cidadãos que nunca foram ensinados a compreender as regras que os governam?
Ao longo da escolaridade obrigatória, aprendemos a interpretar textos, a resolver equações, a compreender fenómenos físicos e a memorizar acontecimentos históricos. Tudo isso é importante e contribui para a formação de indivíduos mais preparados.
O que se continua por explicar é a razão pela qual consideramos essencial ensinar os jovens a compreender o mundo, mas dispensável ensinar-lhes o funcionamento das estruturas que organizam a sua própria vida em sociedade.
A maioria dos jovens termina a escola sem compreender o processo legislativo. Sem saber exatamente quais são as competências dos diferentes órgãos de........
