A desigualdade que se instala no direito à palavra
Durante muito tempo, o controlo das massas fez-se de forma explícita: visível, brutal, difícil de ignorar. Reconhecemo-lo hoje com relativa facilidade, como quem observa um erro histórico já sedimentado, confortado pela ideia de que pertence a um outro tempo. Ainda assim, mesmo nesses contextos, muitos aceitaram. Uns por medo, outros por cálculo, outros porque a perda da conformidade parecia um custo excessivo para situações que se apresentavam como marginais, episódicas ou alheias à sua vida imediata.
Nos contextos que hoje se afirmam como livres e desenvolvidos, a lógica não é necessariamente distinta, apenas mais subtil, mais dispersa, menos localizável.
A liberdade mantém-se como valor estruturante do discurso público, mas a escolha vai sendo moldada em camadas discretas: nos comportamentos esperados, nos tons aceitáveis, nos limites não escritos da expressão. Tudo acontece em zonas aparentemente menores, demasiado banais para justificar conflito, demasiado quotidianas para merecer nome.
Diz-se que somos livres para ser quem somos. Que somos livres para escolher quem queremos ser. O que raramente se explicita é a condição silenciosa que acompanha essas afirmações: somos livres, desde que nos saibamos conte.
Desde que aprendamos, quase sem perceber, a não ultrapassar determinados limiares.
Talvez por isso se torne útil reconhecer a existência de uma ambiguidade persistente em torno de um valor amplamente consensual: a honestidade. Há, pelo menos,........
