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Estará o futuro da construção nas mãos dos imigrantes? Opinião de um engenheiro civil

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08.02.2026

Nas últimas décadas, Portugal tem assistido a uma transformação significativa do seu mercado de trabalho, em grande parte impulsionada pela crescente presença de trabalhadores estrangeiros. A imigração deixou de ser um fenómeno marginal para se tornar um elemento central na dinâmica económica do País, desempenhando hoje um papel decisivo em vários setores de atividade.

Apenas na última década, o número de trabalhadores imigrantes aumentou cerca de 800%, passando a representar quase 15% da força de trabalho nacional. Este crescimento resulta de múltiplos fatores: o envelhecimento demográfico e a baixa taxa de natalidade, a saída de muitos portugueses – sobretudo jovens – para o estrangeiro, a retoma económica após a crise financeira e a pandemia, bem como a escassez de mão-de-obra em atividades intensivas em trabalho, como a construção, o turismo e a agricultura. Paralelamente, foram criados mecanismos públicos, como a “via verde”, que facilitam, sob determinadas condições, a entrada e regularização de trabalhadores estrangeiros em setores com maiores carências.

O setor da construção constitui um exemplo particularmente expressivo desta realidade. Aqui, os imigrantes representam cerca de 25% da mão-de-obra, ou seja, um em cada quatro trabalhadores é estrangeiro – praticamente o dobro da média nacional. Trata-se, em geral, de uma população mais jovem, com idade mediana de 33 anos, comparativamente aos 42 anos registados para o total do país. Apesar de muitos possuírem formação........

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