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Sobre cultivar a esperança

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26.02.2026

“Nunca é demasiado tarde para seres o que deverias ter sido”. Ao preparar uma formação sobre Psicologia Positiva deparei-me com esta frase, atribuída a George Eliot, e achei que me assentava como uma luva! Temos a tendência de nos impor limites e regras, seja pela falta de tempo, ou pelo fator da idade – “já não tenho idade para isto ou para aquilo”. Nada na vida tem de ser uma sentença, nem tem de ter um prazo de validade. Sempre gostei de dançar, mas nunca aprendi? Tenho um hobby que gostaria de aperfeiçoar, uma língua nova para aprender? Um talento por explorar? De que estou à espera? A vida acontece agora, o palco é nosso: “luzes – ação – vai!”

A Psicologia Positiva, também apelidada da “ciência da felicidade”, tem um conceito que para mim é uma metáfora bastante gráfica e elucidativa daquilo que pode ser a primavera das nossas vidas: o conceito de “Florescer”.

Para “florescermos” necessitamos de uma introspeção prévia, de explorarmos o nosso autoconhecimento, identificando os nossos pontos fortes, o que nos poderá fazer brilhar, não um brilho de estrelato ou fama, mas um brilho genuíno de autorrealização, de quem descobriu as suas potencialidades. Já dizia Eckhart Tolle: “Só a verdade daquilo que somos, quando alcançada, nos poderá libertar.”

Se conseguíssemos sintonizar o nosso trabalho, os nossos ideais profissionais, com os valores, maneira de estar e pôr em prática algo de que gostamos, então teríamos as condições ideais para a autorrealização. Muitas das vezes é preciso muito pouco, basta observar e ser-se grato por aquilo que percecionamos como positivo. Trata-se de valorizar o presente, permitindo uma projeção no futuro. Nem sempre as pessoas têm objetivos definidos, mas são essenciais para nos orientarmos, para fazermos uma análise introspetiva: “De onde venho? Estou bem onde estou? Para onde quero ir?” E ainda uma outra pergunta muito importante que nos faz perceber se estamos a estagnar: O que me faz estar num estado de flow? No âmbito da Psicologia, personifica um estado de envolvimento completo de imersão e fusão: é nada mais nada menos do que quando estamos tão entusiasmados e envolvidos numa atividade e parece que o tempo passa muito depressa! Não queremos que termine! Como se de um compromisso sério se tratasse, mas um compromisso muito prazeroso! Dito isto, caro leitor, consegue dizer, em dois minutos, de forma espontânea e autêntica o que o faz mover, envolver, perder a noção do tempo?

O meu convite de hoje é que o foco seja colocado nas nossas virtudes, na força motriz humana, no bem-estar e no que torna a vida significativa, preconizando a ciência da felicidade. Existirão sempre momentos em que o “tapete nos é tirado” em que as coisas não são como queremos, mas saibamos manter a resiliência, não perdendo a nossa essência e principalmente a capacidade de sonhar e de se ser criança, com a curiosidade e deslubramento acerca do mundo. Eu adoro suculentas, são resilientes. No outro dia partiram-se várias folhas de uma tão bonita, e num ato de resgaste, mas sem grande esperança, voltei a colocá-las na terra. Genuinamente, nunca pensei ver as raízes tão fortes que se formaram. Estas plantas podem estar nas condições mais adversas, mas procuram uma maneira para sobreviver, sempre.

É a magia da vida a acontecer, a capacidade de acreditar, que já me foi tão necessária ao longo da vida. Nunca deixem de cultivar a esperança!

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


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