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Educação: O elogio do choque e o empobrecimento da democracia

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15.03.2026

Nas últimas décadas, os sistemas educativos passaram a ser tratados como estruturas que precisam de ser agitadas: reformadas rapidamente, avaliadas externamente, comparadas internacionalmente. Contudo, raramente são mexidas no sentido mais profundo do termo: discutidas publicamente, apropriadas pelos seus atores, deliberadas democraticamente. O choque substitui o debate; a métrica ocupa o lugar do sentido.

Esta transformação não é neutra. Ela traduz uma visão da educação dominada pela razão instrumental, tal como criticada pela teoria crítica do século XX. Quando os meios − indicadores, rankings, standards, metas − se autonomizam dos fins educativos, a questão central deixa de ser “para que educamos?” e passa a ser sobre como melhorar resultados. A educação deixa de ser entendida como prática social e moral para se tornar um problema técnico de eficiência.

Neste contexto, a influência da OCDE e dos grandes dispositivos de avaliação comparada, como o PISA, tornou-se incontornável. Não porque produzam dados irrelevantes, mas porque difundem uma gramática política muito específica: a da urgência........

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