O Estado engenheiro e o Partido Industrial
Quando a Apple decidiu fabricar o iPhone na China, os executivos da multinacional depararam-se com um problema: a produção em massa do novo smartphone exigia a contratação de 8700 engenheiros industriais, um processo que nos EUA demoraria nove meses. Neste caso, demorou apenas 15 dias.
O episódio, relatado em 2012 pelo jornal The New York Times, entrou para a História como uma manifestação da pujança industrial da China e da sua abundante mão de obra qualificada. Se fosse hoje, a contratação daquele exército de técnicos seria ainda mais rápida. Não contando com as dezenas de milhares que estudam fora do país, a China forma anualmente 1,3 milhões de engenheiros – dez vezes mais do que os EUA. No conjunto das quatro disciplinas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o número ronda os quatro milhões.
Entre as dezenas de livros sobre a China publicados no ano passado, Breakneck, China’s Quest to Engineer the Future, de Dan Wang, foi um dos mais comentados. A tese central do ensaio é simples: “A China é um Estado de engenharia (engineering state) que não pode parar de construir”, enquanto a América é “uma sociedade jurídica (lawyerly society) que bloqueia tudo o que pode”. Natural........
