O direito à nostalgia. Opinião de António Caeiro
A nostalgia é um direito novo na China, observou a escritora Jung Chang a propósito da “descontração” que emergiu no país após a morte de Mao Tsé-Tung, em 1976, e a condenação da Grande Revolução Cultural Proletária, seis anos mais tarde. “Pela primeira vez, os chineses podem ter saudades de um tempo diferente daquele em que vivem”, comentou a autora de Cisnes Selvagens num encontro com correspondentes estrangeiros em Pequim, em 1993. Tinham acabado de abrir na cidade vários restaurantes decorados com propaganda da Revolução Cultural e empregados de mesa vestidos ao estilo dos jovens guardas-vermelhos que aterrorizavam os “seguidores do capitalismo”. “Há mais liberdade pessoal”, disse Jung Chang. “O controlo social não tem qualquer comparação com o que era no tempo de Mao.” A morte do antigo primeiro-ministro Zhu Rongji, na semana passada, também suscitou uma onda de nostalgia.
“Éramos pobres (…) Deslocávamo-nos de bicicleta e só no Ano Novo Chinês podíamos comprar roupa nova. Contudo, havia luz nos olhos das pessoas e um sentido de estar com os pés na terra. O........
