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34º28'S, 57º48'O ColoniaColonia del Sacramento, Colônia, Uruguai
Dryden Brown, um ex-surfista profissional californiano, foi demitido aos 23 anos. Em vez de procurar um novo emprego, ele decidiu criar uma nova civilização.
Durante a pandemia, época em que aqueles que podiam aproveitavam o isolamento social para descobrir novos gostos, hobbies e aptidões, ele começou a ler "coisas estranhas de direita" na internet, segundo suas próprias lembranças. Empolgado, passou a se reunir com "pessoas meio esquisitas de direita", que conhecera online, em festas em Nova York.
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Dessas festas estranhas com gente esquisita, em que os convidados usavam coleiras com os dizeres "Me encontre na cidade eterna", surgiu uma comunidade digital. O grupo evoluiu para um negócio de centenas de milhões de dólares que tem como objetivo fundar essa tal "cidade eterna", um paraíso pronto para lidar, e lucrar, com o mundo pós-inteligência artificial como a conhecemos.
A Praxis começou a angariar fundos em 2021. Em 2023, já tinha US$ 20 milhões. Entre os investidores estavam uma firma de capital de risco ligada a Sam Altman, da OpenAI (dona do ChatGPT), e Sam Bankman-Fried.
Bankman-Fried teve uma carreira meteórica e breve como a onda do metaverso. Conhecido no meio como SBF, fez fortuna com criptomoedas, chegou a figurar entre as pessoas mais ricas dos Estados Unidos e acabou condenado por fraude, lavagem de dinheiro e conspiração. Tudo antes de completar 35 anos.
Isso não impediu a Praxis de seguir crescendo. Em 2024, uma firma de criptomoedas concedeu uma linha de crédito de US$ 500 milhões à empresa.
Também não impediu Brown de se envolver em polêmicas. Ex-funcionários o acusaram de misoginia e racismo, afirmaram que ele obrigava a equipe a ler Julius Evola, um autor fascista, e que tinha, em sua estante, livros associados ao nazismo e ao neonazismo.
Não que fizesse diferença para os investidores. A Praxis conseguiu financiamento de fundos ligados a criptomoedas e empresários interessados nessa busca por uma cidade-Estado tecnolibertária.
Estamos construindo uma nação autônoma que usa IA para entender seus membros, coordenar objetivos comuns e melhorar a cada campanha - guiada por uma constituição e supervisão humana e alimentada por um orçamento baseado em tokens de IA" Diz o site oficial
A Praxis tinha o dinheiro e tinha interessados. Segundo a companhia, são 2,5 mil sócios dispostos a se mudar para a "cidade eterna". Gente ligada não só ao mundo cripto e empresas como Anthropic, OpenAI, Tesla e SpaceX, mas também a nomes da moda (Balenciaga e Rick Owens) e aos maiores pesos-pesados acadêmicos (Harvard, Stanford, MIT, Oxford e Princeton).
Faltava encontrar um lugar para colocar o sonho em prática. A Praxis viajou à Itália, Marrocos e Montenegro. Nada foi para frente.
Em 2024, Brown viajou à Groenlândia a fim de promover a "cidade da liberdade". Também apresentou o projeto na Califórnia, com foco em tecnologia espacial, defesa e regulação mínima.
Ninguém se empolgou. Ao site........
