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Falta escrever a história brasileira do riso

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17.12.2025

Professor catedrático convidado na NOVA School of Business and Economics, em Portugal. Nomeado Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial, em 2017

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O riso já foi explicitamente controlado por desorganizar a hierarquia, suspender a lógica, impedir a linearidade e quebrar a compostura. A Regra de São Bento (Regula Benedicti), texto do século 6 que organizava a vida monástica europeia, determinava que o monge deveria evitar o "riso excessivo ou ruidoso". Em manuais de etiqueta cortesã dos séculos 16 que circularam por Portugal, como Il Cortegiano ou Il Galateo, o riso era visto como sinal de vulgaridade e falta de domínio de si.

Nos regimentos militares portugueses, como o Regimento dos Capitães-Mores de 1570, que serviram de base ao sistema militar português até o século 17, o serviço exigia gravidade, silêncio e obediência visível. O riso era passível de punição. Nos processos da inquisição portuguesa, o comportamento do réu era cuidadosamente observado. Rir ou sorrir durante o interrogatório surgia nos autos como sinal de pouca reverência, cinismo ou dissimulação, sendo frequentemente usado para reforçar a suspeita de ocultação da verdade.

Por isso, o riso era confinado a espaços........

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