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Em 10 anos, China vai de eldorado do futebol a paraíso de apostas e fraudes

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06.03.2026

Em 10 anos, China vai de eldorado do futebol a paraíso de apostas e fraudes

Dez anos atrás, o Campeonato Chinês era considerado o novo eldorado do futebol mundial, pagava salários milionários e conseguia atrair nomes do porte de Oscar, Ramires, Paulinho, Renato Augusto, Hulk, Darío Conca e Ezequiel Lavezzi.

Neste fim de semana, o segundo país mais populoso do mundo dá largada à temporada da sua liga nacional sem muitos resquícios dos dias em que acreditou que seria grande também nos gramados.

A nova edição da Chinese Super League não conta com sequer um jogador digno de ser chamado de estrela. Os brasileiros mais conhecidos dentre os 29 inscritos na competição são Mateus Vital (ex-Vasco, Corinthians e Cruzeiro), Iago Maidana (ex-Atlético-MG) e Wesley Moraes (ex-Internacional e Aston Villa).

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Para piorar, nove dos 16 clubes da primeira divisão começam a temporada com pontuação negativa por causa de envolvimento em um grande esquema de manipulação de resultados e apostas esportivas ilegais.

Até mesmo o atual campeão, Shanghai Port, o antigo time do recém-aposentado meia brasileiro Oscar, está na lista de punidos. Ele inicia a defesa do título com -5 pontos na tabela de classificação.

Além das punições aos clubes, 73 pessoas foram banidas de forma vitalícia de praticar qualquer atividade profissional ligada ao futebol na China. A relação de sancionados inclui o ex-técnico da seleção Li Tie e Chen Xuyuan, antigo presidente da federação nacional.

Ambos estão presos por causa da participação na quadrilha -o treinador cumpre 20 anos de reclusão, enquanto dirigente recebeu pena de prisão perpétua.

O futebol chinês começou a perder força na virada de 2019 para 2020, quando o presidente Xi Jinping abortou a ideia de tentar transformar o país em uma potência do mundo da bola, até então uma de suas obsessões.

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Decepcionado com a grande quantidade de falência dos clubes locais e com a falta de evolução da seleção mesmo com o pesado intercâmbio com jogadores acostumados a atuar no primeiro escalão da Europa, o governo criou uma política de teto salarial para atletas estrangeiros.

Na prática, essa mudança de legislação excluiu o país da elite do Mercado da Bola e tornou proibitiva tanto a permanência quanto a chegada de novos nomes conhecidos globalmente à China.

No ano seguinte, empresas perderam o direito de emprestar seu nome aos clubes dos quais eram donos, diminuindo ainda mais o interesse em realizar novos investimentos no futebol local e tornando o dinheiro escasso por lá.

A queda drástica no volume de dinheiro circulando e a redução no nível de profissionalismo dos clubes e jogadores trouxeram à tona novamente um velho problema do futebol chinês: a corrupção.

Escândalos de manipulação de resultados, por diferentes motivos e com os mais variados agentes, foram algo cotidiano na China entre a virada do século e a primeira metade da década passada.

O mais impactante deles está relacionado a eventos da temporada 2003, mas só foi devidamente punido dez anos mais tarde. Na ocasião, o Shanghai Shenhua perdeu o título nacional e dois jogadores da seleção (além do árbitro mais famoso do país) foram presos.

Foi justamente depois desse episódio que a China resolveu colocar em prática um plano para moralizar seu futebol e, a longo prazo, tornar-se uma potência da modalidade. No fim, foi só um voo de galinha, que fez barulho, mas durou pouco tempo.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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