Carnaval precisa se adaptar ao envelhecimento da população
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Carnaval precisa se adaptar ao envelhecimento da população
Proteger idosos em eventos de grande porte é ingrediente de uma cultura verdadeiramente inclusiva
Portela oferece plano ambulatorial de saúde aos integrantes de sua velha guarda
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Líder do Favela Compassiva Rocinha/Vidigal e fellow Ashoka, é enfermeiro e doutor na temática dos cuidados paliativos
O Carnaval inclui na festa memória, identidade e pertencimento. Entre os ritmistas, as baianas, os mestres-salas e os integrantes históricos de escolas de samba estão pessoas que atravessaram décadas de dedicação à cultura popular. Para uma parcela significativa desses foliões, participar dos desfiles na avenida é tão essencial quanto respirar e, nesse gesto, a presença dos mais velhos confere ancestralidade e sentido à festa.
Mas há um elemento que muitas vezes passa despercebido pelo público: a atenção dada ao cuidado dessa população antes, durante e depois dos desfiles.
Em tempos em que o Brasil discute envelhecimento ativo, inclusão social e eventos de massa com segurança, olhar para como escolas de samba acolhem seus integrantes idosos representa não apenas respeito, mas um modelo de boas práticas que pode inspirar outros eventos culturais e públicos.
Em 2026, o Brasil vive um acelerado processo de envelhecimento populacional com mais de 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando 15% da população. A expectativa de vida, que ultrapassa 76 anos, impõe desafios urgentes às políticas públicas, aos serviços de saúde e às práticas sociais, especialmente em eventos de grande porte e manifestações culturais.
No contexto do Carnaval, algumas agremiações já internalizam essa realidade de forma técnica, prática e humanística. Antes dos ensaios e desfiles, há protocolos que envolvem identificação de riscos, adaptações de fantasias e rotas e cuidados com hidratação.
Durante a folia, equipes de apoio e brigadas voluntárias monitoram condições de calor, fadiga ou descompensações clínicas. E, após a passagem pela avenida, existe acolhimento para descanso, alimentação adequada e retorno seguro aos seus trajetos de casa —um ciclo que vai além do espetáculo.
Essa prática precisa ser rotina, não exceção. Algumas escolas de samba fazem compromisso explícito com seus integrantes mais experientes, tratando-os como guardiões da tradição, e não como "figuras decorativas". Essa postura reflete um princípio essencial, que a ancestralidade exige cuidado, e não apenas reverência simbólica.
Proteger idosos em eventos de grande porte não é mera burocracia, e sim ingrediente de uma cultura verdadeiramente inclusiva. Significa garantir que a participação de pessoas com mais de 60 anos seja segura, valorizada e integrada aos rituais sociais, rompendo com estigmas que associam velhice a fragilidade ou invisibilidade.
A responsabilidade coletiva passa também por ações concretas, como protocolos claros de saúde e segurança para pessoas idosas em eventos públicos, capacitação de equipes de apoio sobre as necessidades específicas da faixa etária, participação ativa das pessoas idosas no planejamento cultural e logístico e articulação entre escolas de samba e serviços de saúde locais.
Esse compromisso se materializa de forma exemplar na tradicional escola de samba carioca Portela, que passou a oferecer plano ambulatorial de saúde aos integrantes de sua velha guarda, reforçando uma cultura de cuidado que começa antes do desfile, se mantém durante a passagem pela avenida e continua após a dispersão, com acolhimento e atenção às necessidades dessa população por meio de profissionais capacitados para o cuidado.
O Carnaval pode ser um laboratório de inovação social, um exemplo de como tradições populares se encontram com princípios de cuidado e inclusão.
Assim como discutimos desigualdades estruturais em educação, trabalho e saúde em outras frentes, é hora de ampliar o debate para incluir a experiência das pessoas idosas nas grandes festas populares e culturais, com responsabilidade, evidências e ações que assegurem sua participação plena.
Porque cuidar de quem construiu o Carnaval é também cuidar do futuro da cultura brasileira.
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