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Por que a suspensão do zagueiro machista do Bragantino não resolve nada

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05.03.2026

Por que a suspensão do zagueiro machista do Bragantino não resolve nada

Gustavo Marques, o zagueiro do Bragantino que ficou nacionalmente famoso por sua misoginia explícita, foi multado e suspenso. Deve recorrer da suspensão e, talvez, acabar voltando antes aos campos. Quando voltar de forma antecipada, ninguém mais vai lembrar do que ele fez. A multa será revertida a uma ONG que lida com mulheres em contexto de vulnerabilidade.

Já é alguma coisa? Eu diria que é apenas um teatro. Melhor do que nada? Sim, melhor do que nada mas, ainda assim, um teatrinho para acalmar a opinião pública.

Gustavo não sabe até agora o que fez de errado. Quem o puniu tampouco deve saber. O zagueiro acredita que seu erro foi enfurecer a mãe e a mulher. Talvez não volte a falar asneiras criminosas por aí, mas certamente não estará transformado. Multá-lo em metade do salário não me agrada porque Gustavo é um homem negro e periférico que deve ter cortado muitos dobrados para estar onde está. Seu salário provavelmente sustenta boa parte da família estendida. Por que aquelas que cuidam dele têm que pagar pelo erro dele? Mãe e mulher são as pessoas que devem dar a ele o apoio emocional e logístico para que ele saia de casa todos os dias alimentado, centrado e preparado para ser um atleta profissional. São elas que têm que sofrer pelos erros dele?

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Gustavo precisa de letramento. Seria mais eficaz se ele fosse obrigado a sair do treino e trabalhar socialmente com a Lei Maria da Penha todos os dias em que está em Bragança. Por alguns anos. Obrigado a estudar o feminismo, obrigado a fazer provas e mostrar que aprendeu, obrigado a prestar serviços ao futebol feminino. Eu garanto que ele seria reformado em tempo recorde e, reformado, ajudaria a transformar o futebol de dentro para fora.

Pagar multa e ficar alguns jogos fora não resolve a parada e nem muda a opinião de Gustavo sobre mulheres no futebol. Faz apenas com que ele saiba que precisa engolir o preconceito em público. No vestiário, na rua e em casa, segue liberado.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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