Não há feminismo honesto que apoie guerras coloniais
Não há feminismo honesto que apoie guerras coloniais
A guerra estadunidense-israelense contra o Irã não acontece para que as mulheres daquele país sejam libertadas. Não haverá libertação alguma nem mesmo como sub-produto da guerra. Nunca houve uma guerra colonial que tenha libertado mulheres - muito pelo contrário. Mulheres são as primeiras e as mais definitivas vítimas de qualquer guerra.
Se as iranianas vivem sob uma ditadura que tira delas quase todos os direitos não vai ser um ataque imperialista chefiado por um homem condenado por estupro, conhecido por ter dito que mulheres devem ser agarradas pela vagina e agora implicado diretamente em crimes de pedofilia que vai emancipá-las.
Pessoas que nunca se preocuparam com as condições de vida e de morte das brasileiras parecem ter descoberto na guerra contra o Irã uma repentina e profunda preocupação com as mulheres persas e com uma guerra que teve como primeiro ato o assassinato de 170 meninas dentro de uma escola primária.
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As iranianas não serão emancipadas levando bombas na cabeça, muito menos com novos Aiatolás sendo nomeados e menos ainda com exércitos inimigos e curdos invadindo o país por terra. Uma vida que já era precária está prestes a piorar. Não é assim que mulheres recuperam direitos, que conquistam liberdades, que se fortalecem. Nunca houve uma guerra colonial que tenha melhorado a vida da nação ocupada. Nunca, em milhares de anos, existiu essa dinâmica. Não acontecerá agora.
A vida das iranianas já é, hoje, pior do que era ontem. É sobre elas que recaem de imediato o peso de uma guerra. Cuidar da família, da casa, de manter todos protegidos e alimentados. São elas que lidam com homens tensos e desesperados com a possibilidade de perderem tudo. Não existe feminismo honesto ou decente que apoie guerras coloniais. Simplesmente não existe isso. E não precisamos da dissimulação e da demagogia daqueles que foram subitamente invadidos por uma espécie de consciência moral que os faz berrar pelas iranianas para justificar uma invasão barbara, descabida e sanguinária que visa desviar nossa atenção para a liberação dos arquivos de Epstein que mostram como o poder dos homens opera na chave da pedofilia e do estupro. Qualquer feminismo honesto luta por um mundo sem lideranças religiosas misóginas, sem presidentes estupradores, sem nações imperialistas e sem tecnologias coloniais em operação.
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