Brasil se despede com festão de bizarrices, delírios e deslizes
Brasil se despede com festão de bizarrices, delírios e deslizes
O Maracanã estava lotadaço para se despedir da seleção brasileira. Uma imagem bonita e festiva se vista de longe. De perto, seria preciso fazer uma análise que deixa muita gente raivosa: era uma festa muito branca para um país muito negro. As imagens da chegada da torcida, registradas em detalhes porque as transmissões começaram ainda pela manhã, mostravam a realidade. O ingresso mais barato custava 100 reais e se esgotaram em minutos depois de abertas as vendas online. E havia, claro, outros tipos de ingressos: os caros, os muito caros e os caríssimos se a gente lembrar que o salário mínimo é menos de dois mil reais e também que vivemos a crise do pluri-emprego, como diz a feminista e pesquisadora argentina Veronica Gago: as pessoas precisam ter mais de um emprego para no fim do mês conseguirem apenas gerenciar suas dívidas. Alguns desses bancos populares que emprestam dinheiro a juros impagáveis apoiam o futebol brasileiro.
Encarecer ingresso é sinônimo de embranquecer estádio e os organizadores do futebol sabem disso. Num país que passou 400 anos escravizando pessoas sequestradas do continente africano e que nunca trabalhou políticas públicas de inclusão, justiça e reparação a equação é direta: falar de........
