Governo Trump vê embate entre interesse na eleição e terras raras no Brasil
Governo Trump vê embate entre interesse na eleição e terras-raras no Brasil
Nos últimos meses, o governo Donald Trump foi palco de uma disputa entre o desejo de apoiar politicamente um candidato alinhado à Casa Branca na eleição do Brasil - o senador Flávio Bolsonaro - e o interesse estratégico de acessar reservas de terras-raras brasileiras - especialmente as pesadas — para driblar a dependência que os EUA mantêm da China.
Fontes dos Estados Unidos, internas ou próximas ao governo Trump, disseram ao UOL que a questão opôs a ala mais ideológica do Departamento de Estado e o pragmatismo de integrantes do Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês) da Casa Branca.
De um lado, ficaram o assessor do secretário de Estado Marco Rubio para assuntos de Brasil, Darren Beattie, e o subsecretário de Estado Christopher Landau. De outro, David Copley, Diretor de Cadeias de Suprimento Globais, e o Coronel da Força Aérea da reserva Michael J. Jensen, Diretor para Assuntos do Hemisfério Ocidental, que supervisiona a política do NSC para a América do Sul.
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"O Copley deixou claro que as preferências ideológicas do Departamento de Estado não deveriam se interpor e atrapalhar a relação com o Brasil visando as terras-raras. Mas atrapalhou", diz um diplomata dos Estados Unidos com conhecimento direto das negociações. "Há uma percepção clara nos EUA de que o país depende do Brasil para obter esses suprimentos de que precisa".
Pragmatismo em vantagem
Terras raras são um conjunto de 17 elementos, que se dividem entre pesadas e leves. A China controla quase 100% do suprimento mundial de disprósio e térbio, que são terras raras pesadas. Elas são especialmente importantes para a produção de baterias de veículos elétricos, materiais ópticos, itens de defesa, inclusive mísseis de precisão, e ímãs permanentes de alta performance.
No começo do segundo mandato de Trump, quando os EUA e a China travaram uma guerra tarifária, Pequim restringiu a exportação dos elementos para os EUA, o que causou escassez inclusive para suprimentos do Departamento de Defesa americano. A situação ativou um alerta de segurança nacional em Washington.
A resposta da Casa Branca, sob coordenação do NSC, veio com um programa de investimentos de pouco menos de US$8 bilhões, aplicados nos primeiros 18 meses do segundo mandato de Trump. O montante equivale a mais de quatro vezes o investido pelos EUA entre 2020 e 2024 na mineração de terras-raras, segundo análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês). Para avançar sua produção doméstica e a obtenção de fontes dos elementos entre países aliados, o governo americano também reorientou as prioridades dos dois bancos de investimentos estatais, o........
