Fundo Esh vira assistente de acusação no processo em que Tanure é réu
Fundo Esh vira assistente de acusação no processo em que Tanure é réu
O Tribunal de Justiça de São Paulo habilitou o fundo Esh Theta, da gestora Esh, de Vladimir Timerman, para atuar como assistente da acusação na ação criminal que investiga o empresário Nelson Tanure por manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas na Gafisa.
Tanure virou réu em janeiro, quando a juíza federal Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, acolheu denúncia do Ministério Público Federal envolvendo a aquisição da incorporadora Upcon pela Gafisa em fevereiro de 2020. A operação que teria prejudicado a própria companhia e acionistas minoritários.
Ao final da operação, Tanure ampliou sua participação na Gafisa em mais 12,65%, obtendo uma vantagem de R$ 18 milhões em relação ao preço das ações no mercado na época.
Maria RibeiroWagner ter chegado a esse lugar é muito emocionante
Wagner ter chegado a esse lugar é muito emocionante
Josias de SouzaSistema político entrou novamente em convulsão
Sistema político entrou novamente em convulsão
Yara FantoniDemissão de Tite reflete a urgência de resultados
Demissão de Tite reflete a urgência de resultados
PVCSão Paulo tem seu melhor início no Brasileirão
São Paulo tem seu melhor início no Brasileirão
A defesa de Tanure nega envolvimento com atos ilícitos.
A juíza acolheu o pedido do Fundo Esh Theta de se tornar assistente do MPF na acusação pela condição de "vítima dos fatos apurados, considerando sua condição de acionista da Gafisa durante o período das operações fraudulentas narradas na denúncia".
Timerman e Tanure travam uma das batalhas mais ferrenhas em curso na Faria Lima. Há anos o gestor acusa Tanure de ser sócio oculto do Banco Master — o que já lhe rendeu uma condenação por perseguição (stalking).
O fundo Esh Theta também foi bloqueado há mais de dois anos devido a uma liminar obtida pela Gafisa, sem previsão de julgamento de mérito. Semana passada, Timerman fez uma representação ao Conselho Nacional de Justiça contra o juíz do caso solicitando, entre outras medidas, a "suspensão da medida cautelar ou recomendação para apreciação imediata dos pedidos pendentes".
Timerman foi convocado pela CPI do Crime Organizado, como testemunha, para falar sobre as denúncias que vem fazendo sobre crimes financeiros envolvendo o Banco Master. O depoimento está marcado para a manhã de quarta-feira (18).
Segundo a denúncia do MPF, dias antes da aquisição, Tanure e o então controlador Upcon, Gilberto Benevides — que também é réu no processo — teriam orquestrado um aumento no capital social da empresa para inflar artificialmente seu patrimônio. Com isso, a Gafisa precisou desembolsar um volume maior de ações para adquirir a Upcon
Benevides teria obtido um empréstimo de R$ 118 milhões junto à corretora Planner, de Maurício Quadrado, aliado de Tanure, para elevar o capital da empresa, de R$ 2,5 milhões negativos para R$ 180 milhões. Ainda segundo a denúncia, o dinheiro para elevar o capital da Upcon seria do próprio Tanure. Benevides teria depois repassado parte das ações, com desconto de 20%, para o fundo Singular Plus, de Tanure, e que era vinculado ao Banco Master.
Em janeiro, Tanure foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Na época, o ministro Dias Toffoli, então ainda atuando como relator do caso Master, determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões de patrimônio de Tanure, acusado de atuar como "sócio oculto do BANCO MASTER, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas", com "aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais".
Na época, a defesa do empresário divulgou nota afirmando que o empresário possui "décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e jamais havia sido acusado de qualquer prática supostamente delitiva no contexto das empresas em que foi acionista".
Em 2021, Timerman denunciou a operação de aquisição da Upcon para a CVM, mas apenas em março de 2024 foi aberto um processo administrativo — 473 após a área técnica argumentar pela instauração de inquérito.
O processo de manipulação de mercado de Tanure foi aberto faltando menos de um mês para sua prescrição — pelo fato de Tanure ter mais de 70 anos, o prazo para prescrição cai pela metade.
A defesa de Tanure tentou remeter o processo para o Supremo Tribunal Federal devido à possível conexão com o Banco Master, mas na época, o ministro Dias Toffoli, que ainda estava na relatoria do caso do Master, devolveu o caso à 1ª instância em São Paulo.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Leite em pó é saudável? Confira mitos e verdades
Receita Federal divulga hoje regras do Imposto de Renda 2026
EUA pressionam China para ajudar reabrir Estreito de Hormuz fechado por Irã
Oscar: atriz de 'Uma Batalha' discute com segurança e diz que foi empurrada
Contribuintes terão de 23 de março a 29 de maio para declarar o IR 2026
