Trump e o doux commerce: interdependência, populismo e erosão das regras
Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)
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"Onde os costumes são gentis, há comércio; e onde há comércio, os costumes tornam-se gentis." A máxima de Montesquieu forneceu o mote para a análise de Albert Hirschman em "As Paixões e os Interesses": o comércio é "suave" (doux), civiliza os indivíduos e atenua paixões violentas —guerra, fanatismo, tirania. Ao criar laços e dependências recíprocas, os interesses econômicos substituem a violência por troca, contrato e cálculo, promovendo ordem e paz.
A política comercial de Donald Trump nega essa premissa: combina beligerância e autointeresse explícito, corroendo um regime baseado em regras e deslocando-o para a lógica da força bruta. Alguns analistas ainda sustentam que a teia de interdependências —finanças globalizadas e cadeias transnacionais de valor— tenderia a domesticar líderes beligerantes. Talvez. Mas arranjos fundados na coerção, e não no........
