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Roberto de Carvalho diz que Rita Lee segue presente e que ele não quer um novo amor

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13.02.2026

Mônica Bergamo é jornalista e colunista

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Roberto de Carvalho diz que Rita Lee segue presente e que ele não quer um novo amor

Músico desfilará na segunda (16) pela Mocidade em enredo dedicado à rainha do rock brasileiro

À coluna, ele fala sobre sua relação com o luto, com os filhos e com a música

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Quando Rita Lee morreu, em 2023, Roberto de Carvalho se perguntou "o que estou fazendo aqui?". Passados quase três anos, o viúvo e grande parceiro musical da cantora continua em dúvida.

"A gente tinha uma conjuminação de personalidades tão forte, que é muito esquisito continuar existindo sem a presença física da Rita. Apesar de que, como eu sempre digo, a Rita continua sendo uma presença impresente", afirma o músico de 73 anos por vídeo, de sua casa em Cotia, em São Paulo.

Ele está de passagens compradas para o Rio, onde nasceu, para desfilar no último carro da Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola levará à Sapucaí o enredo "Rita Lee – A Padroeira da Liberdade" na segunda-feira (16) de Carnaval.

Rita chegou a ser convidada para receber uma homenagem em vida. Ficou feliz, mas "certas exigências" não fizeram o projeto avançar, segundo Roberto.

A cantora já participou de desfiles. Em 2012, integrou um carro alegórico da Águia de Ouro em tributo à Tropicália. Em 2009, a Beija-Flor dedicou a ela uma ala inteira. Um enredo completo no Grupo Especial, porém, nunca houve.

Apesar de receber o convite da Mocidade como uma grata surpresa, quem fez as exigências dessa vez foi a família: sem produtos animais. "Era algo extremamente importante para Rita e para nós. Eles não só toparam, como acharam do cacete. Tenho certeza de que, onde estiver, ela está se regozijando com essa homenagem."

Neste ano, Rita Lee e Roberto de Carvalho estariam comemorando 50 anos do momento em que ela convidou o então guitarrista de Ney Matogrosso para jantar e se apaixonou. "O gato, além de lindo, cheiroso e excelente guitarrista, também se mostrava exímio pianista. Amor à primeira tecla", escreveu a roqueira em "Rita Lee: Uma Autobiografia."

À coluna, Roberto diz que não se imagina e nem quer viver outro amor. Considera que seria "um desrespeito" a si mesmo. Ele também fala como está sua relação com o luto, com os filhos, com a música —e como é reviver memórias da maior paixão de sua vida.

O monólogo "Rita Lee: Balada da Louca", que estreia no próximo mês, abordará os últimos anos da cantora e sua luta contra o câncer. Como é revisitar esse período? Vivenciei aquilo com sangue, suor e lágrimas. Você tem que ter uma certa dose de ceticismo, de bom humor e, ao mesmo tempo, entender que era alguma coisa que tinha que acontecer, que estava prevista.

Quando a Rita se encantou, eu tinha uma visão: "O que estou fazendo aqui?". Passados quase três anos, eu continuo perguntando: "O que estou fazendo aqui?". Porque a gente tinha uma conjuminação de personalidades tão forte que é muito esquisito continuar existindo sem a presença física da Rita. Apesar de que, como eu sempre digo, a Rita continua sendo uma presença impresente.

Eu continuo sentindo a existência dela aqui na minha vida, na nossa casa, como se fosse ainda como era. Mas não é. Então, o que você pode fazer? Você tem que se adaptar, continuar vivendo da melhor maneira possível e cumprir uma missão aqui na Terra.

De certa forma, eu fico muito aliviado, porque a Rita era muito clara no desejo dela de que eu não partisse antes dela. Então, tudo aconteceu de uma maneira gentil.

Como está a sua relação com o luto? Há um processo de transformação e assimilação. Aos poucos, você aprende a lidar com a circunstância, a se libertar do excesso de amargura e a enxergar alguma luz que possa conduzir a um lugar mais saudável.

Hoje vivo em paz com tudo, com a existência e também com o fim dela. Tenho buscado ver o mundo e estar com as pessoas.

Nós vivíamos muito numa bolha, só nós dois. De certo modo, essa bolha Rita e Roberto ainda existe. Mas estou mais aberto. A criação de um templo interior, com alicerces que sustentem minha identidade e me permitam seguir e me tirar de um estado de eremita, que é uma coisa que eu tenho por natureza, foi construída ao longo do tempo. Nós dois tínhamos isso.

Nos livros e entrevistas, transparecia que a Rita era uma peça central da família. Como está a sua relação com os filhos? Todo mundo na terapia [risos]. É um buraco, um abismo, um vazio muito grande. Eu, de minha parte, tenho tentado –e, de certa forma, acho que tenho conseguido– preencher um espaço que era ocupado pela Rita. É a tentativa de ser um pouco mãe também. Ela era a confidente dos filhos. Eles se abriam muito mais com ela do que comigo.

Tenho uma relação excelente com meus filhos. Sempre foi horizontal, na qual eu não estivesse hierarquicamente acima ou abaixo deles. Tudo com muito respeito, amor e carinho. É assim que a coisa continua.

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E como está a sua relação com a música? Eu não planejava ser músico profissional. Toquei com alguns artistas, mas o meu encontro com a Rita foi fatal para que a minha vida ficasse inteiramente voltada à música.

Quando a gente parou de fazer show [em 2012], outros interesses surgiram. Eu me dediquei à jardinagem. A Rita, aos livros. Continuo tocando muito. Meu público mais fiel é o Juninho, meu cachorro —basta eu sentar ao piano que ele aparece. Mas não tenho a intenção de exercer a profissão. Não é impossível, mas é improvável. Sinto que, na música, já fiz o que tinha de fazer.

Quando toco hoje, às vezes me soa derivativo. Eu me olho no espelho e vejo uma caricatura de mim mesmo quando eu tinha 25 anos.

Construí a nossa vida de uma maneira em que a gente pudesse, num determinado momento, não ter que depender de se expor, de se colocar no mundo para sobreviver. É uma grande conquista de vida.

Qual é a música favorita do repertórios de vocês? A simbologia de "Mania de Você" é muito forte para mim. Ela captou o espírito daquela época de forma intensa e acabou absorvida pelo imaginário coletivo do país. Gosto de muitas outras, mas essa canção expressa como nenhuma outra o que a música significou para nós dois —e para mim, individualmente.

A minha é "Doce Vampiro". Você está falando com ele. A música foi feita na época em que a Rita estava vivendo a prisão domiciliar e eu ainda tocava com o Ney Matogrosso. Estávamos morando na casa de meus sogros, em São Paulo. Um dia eu cheguei lá, fui para o quarto e a Rita, já de barrigão, estava deitada na cama com o violão. Ela disse: ‘Tenho um presente para você’. Eu falei ‘opa, maravilha’. Aí eu sentei e ela desfiou o "Doce Vampiro". Foi muito forte, muito incrível.

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O senhor gosta de ser lembrado a todo momento dela? Gosto, sim. Claro que depende do momento. Durante muito tempo após a morte dela, eu chorava. Nunca fui de chorar. Era uma trava. E essa trava destravou. Chorei muito. Com o tempo, você vai se pacificando. Se precisar chorar de novo, eu choro. Digo ‘com licença, já volto’.

O senhor se imagina vivendo outro amor? Não imagino, nem quero. Tem muitos amigos que ficam insistindo. Esse ano, nós completaríamos 50 anos juntos. Seria nossa bodas de ouro. Pode ser até uma visão estreita, muito particular e esdrúxula, mas acho que seria um desrespeito a mim mesmo, à nossa memória. Quero cultivar amizades e relacionamentos –inclusive comigo mesmo.

Não vejo espaço [para um novo amor]. Até porque estou com 73 anos, entendeu? Põe o velho no sol, tira o velho do sol. Põe o velho no avião, tira o velho do avião. Mas, enquanto tiver disposição física, mental e psicológica para estar passeando pelo mundo, eu vou continuar existindo dessa maneira. Agora, me fechar em um relacionamento, não quero.

Isso foi discutido com a Rita? A Rita tinha uma amiga dela, cujo nome não vou dizer, que ela brincava: ‘Ó, quando eu partir você pode casar com fulana’. Era uma grande amiga, mas era uma mocreia. Desculpe, ela partiu também já. A Rita tinha síndrome de Santo Antônio. Ela sempre estava procurando alguém para juntar.

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com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO

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