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Tadeu, Ana Paula e luto: às vezes tela não basta para confortar quem sofre

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20.04.2026

Tadeu, Ana Paula e luto: às vezes tela não basta para confortar quem sofre

Eu tinha 18 anos quando um amigo entrou no cemitério, no velório do meu pai. Era 8 h de uma madrugada que não havia terminado, eu havia não-dormido em um divã em uma sala separada, esperando o corpo chegar, ao lado da minha melhor amiga. Ninguém tinha a menor ideia do que fazer.

Quando ele chegou, me deu um certo alívio. Ele também era órfão. A gente se conhecia desde criança. Eu queria perguntar: "Tá, e como vai ser agora?". Ninguém diz, porque vai ser terrível. Ele me abraçou e disse: "levanta". Eu o segui, entramos no carro, ele me levou a uma padaria ali perto e mandou eu escolher alguma coisa para comer. Eu não conseguia comer nada, mas ele estava decidido. "Pega qualquer coisa e come." Eu lembro do balcão prateado da padaria de bairro na periferia de São Bernardo do Campo, da dor no corpo todo, dos olhos inchados. E do sabor do Toddynho que eu escolhi tomar.

Ele então me deixou de volta no cemitério. Era só isso que ele precisava fazer por mim, me lembrar que até em um dia........

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