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O tempero político do Carnaval

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14.02.2026

Luís Francisco Carvalho Filho

Advogado criminal, é autor de "Newton" e "Nada mais foi dito nem perguntado"

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O tempero político do Carnaval

Nos bloquinhos, provavelmente Dias Toffoli será satirizado

Homenageado por agremiação, Lula corre o risco de ouvir sonora vaia na Sapucaí

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O Carnaval costuma satirizar e ironizar homens públicos. Dificilmente o ministro Dias Toffoli, do STF, escapará. Ao contrário do que acontece nas escolas de samba, nos bloquinhos prevalece a espontaneidade.

Depois de socorrer Flávio Bolsonaro no constrangedor caso das "rachadinhas"; de sempre proferir decisões vistas como generosas a investigados por corrupção; de tentar, sem justa causa, destruir a imagem da Transparência Internacional, ONG que incomoda globalmente o cordão dos desonestos; depois de hospedar generais no gabinete da presidência do Supremo, o que não aconteceu nem na ditadura; de abraçar, como amigo do peito, o presidente Bolsonaro, golpista e inimigo declarado do tribunal; depois, enfim, de proibir o preso Lula (que o indicou para o cargo) de ir ao velório do irmão, figurar como porta-bandeira do bloco do Banco Master parece pouco.

Toffoli, no epicentro da mais grave crise de credibilidade do Supremo, merece um samba-enredo.

E por falar em samba-enredo, a Acadêmicos de Niterói abre o Carnaval do Rio de Janeiro, na noite de domingo, homenageando o presidente da República no exercício do cargo. "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil."

O país inaugura assim mais um modelo de abuso de poder político em ano eleitoral —basta imaginar outra escola de samba homenageando o candidato Flávio Bolsonaro, filho do "capitão de Deus".

Lula participa de uma operação aparentemente arriscada. Muito além de eventual multa do TSE por propaganda antecipada, que seria paga com dinheiro público, o Carnaval carioca, sob o olhar complacente das autoridades, é contaminado pelo vírus do jogo do bicho e do crime organizado: seus alegres e atentos patronos devem estar animados e celebrando a inusitada parceria.

Por outro lado, com alto índice de rejeição —reprovação de 49% dos entrevistados na pesquisa Genial/Quest—, o risco de Lula ouvir uma sonora vaia do alto de seu concorrido camarote na Marquês de Sapucaí não é descartável.

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Mas nem só de políticos e de política vive o Carnaval. Responsável pela proteção de milhões de foliões nas ruas de todo o país, a polícia, a Polícia Militar em particular, tem uma trajetória crescente de mortes de suspeitos em confronto armado.

Editorial da Folha mostra que a letalidade policial navega da direita à esquerda.

Segundo dados do Ministério da Justiça, em 17 estados, a letalidade cresceu. Fazem parte da marchinha da matança pré-candidatos como os governadores de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Santa Catarina, Amazonas, Pará, Paraná e Alagoas. Em números absolutos, lideram os estados governados por Jerônimo Rodrigues (PT–BA), 1.569 casos; Tarcísio de Freitas (Rep–SP), 835; Cláudio Castro (PL–RJ), 798. No Rio, tem "gratificação faroeste" para policial que mata criminoso.

Justiça seja feita, os governadores de Goiás, Piauí, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, também candidatos, melhoraram os números nos seus estados, o que não altera, porém, o cenário nacional.

Por essas e por outras, por preferir a cidade desimpedida, por gostar de outra musicalidade e de não pular, por causa dos joelhos, estou me guardando para quando o Carnaval acabar.

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