Milhares nadando de Marrocos à Espanha escancaram o fracasso da humanidade
Milhares nadando do Marrocos à Espanha escancaram o fracasso da humanidade
As imagens de milhares de pessoas tentando alcançar a nado o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, evocam uma das fotografias mais dolorosas das crises de refugiados no Mediterrâneo, a do menino sírio Alan Kurdi, de três anos, encontrado sem vida em uma praia da Turquia, em 2015. Naquele momento, líderes mundiais prometeram que a comoção produziria mudanças. Onze anos depois, o mar entre a Europa, a África e Ásia continua sendo uma vala comum alimentada pela desigualdade, pela ganância, pelas guerras, pela emergência climática e pela indiferença.
Ao menos nove pessoas morreram na atual tentativa de entrada em Ceuta. Nos últimos dias, milhares haviam contornado a nado o quebra-mar que separa Marrocos e Espanha. E milhares de pessoas estenderam-se pelas estradas do país para chegar ao local e tentar a sorte.
Há famílias, crianças e mulheres, mas são principalmente homens jovens, integrantes de uma geração Z que não vê futuro ou oportunidades na Marrocos na qual nasceram. Quando alguém nessa idade prefere enfrentar o risco a permanecer em casa, o problema não é uma suposta vocação para a ilegalidade. É a falta de alternativas.
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Não se abandona a família, atravessa-se um país e rifa-se........
