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Fim da 6x1 e a fantasia da 'livre negociação' com quem não pode dizer não

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12.10.2026

Fim da 6x1 e a fantasia da 'livre negociação' com quem não pode dizer não

Imagine a seguinte cena: uma operadora de caixa de supermercado na periferia de uma grande cidade, que trabalha seis dias por semana e passa duas horas por dia no transporte público, é chamada pelo gerente após pedir para ter dois dias de folga para cuidar da família. Ele não só diz que a empresa não vai dar conta de atender, como apresenta um novo contrato com horários que vão lascar a vida dela. Diz que a trabalhadora tem toda a liberdade para escolher. Ela sabe que tem aluguel vencendo, um filho para buscar na escola e uma pilha de currículos na mesa do RH esperando a vaga dela abrir. Ela vai negociar o quê, exatamente?

A contraproposta de quem se opõe ao fim da escala 6x1 parte de um pressuposto tão conveniente quanto falso: o de que todo patrão e empregado sentam à mesa com o mesmo poder. Como se fossem dois comerciantes vizinhos, fazendo negócios, cada um com algo a oferecer e livre para levantar e ir embora se o acordo não agradar.

Essa negociação existe, claro. Funciona muito bem para quem é demandado e disputado pelo mercado. O engenheiro de software sênior, a médica especialista, o executivo com currículo invejável. Essas pessoas recebem uma proposta ruim e respondem com um "obrigado, mas não". Têm um colchão econômico que permite mandar o emprego às favas caso a empresa não as valorize. Sabem que, na semana seguinte, outra porta se abre.

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