Ao atacar o Pix, governo Trump dá presente eleitoral a Lula
Ao atacar o Pix, governo Trump dá presente eleitoral a Lula
O governo Trump deu um presente eleitoral a Lula: atacou o Pix. Ao comentar hoje o relatório dos Estados Unidos que aponta o sistema brasileiro como ameaça às empresas norte-americanas (ô, dó), o petista vestiu, sem esforço, o figurino da defesa da soberania nacional.
"Os Estados Unidos fizeram um relatório nesta semana sobre o Pix e disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque acham que ele cria problema para a moeda deles. O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando para a sociedade brasileira", disse em Salvador.
O timing não poderia ser melhor. Dias antes, Flávio Bolsonaro esteve no Texas, na principal conferência conservadora dos EUA, sinalizando a retomada da política externa do pai, aquela em que o Brasil abriu mão de tradição diplomática para se alinhar automaticamente a Washington.
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O senador tenta agora se equilibrar, dizendo que defende o Pix. Mas há um problema óbvio: apoio do Tio Sam não vem de graça. E, nesse caso, a fatura pode ser paga com soberania.
Em julho do ano passado, os EUA abriram uma investigação comercial contra o Brasil e incluíram o Pix como possível prática desleal. Traduzindo: o problema não é o Pix ser ruim, é ser bom demais sem depender deles.
A ferramenta virou mais do que um instrumento de pagamentos. É símbolo de eficiência estatal num país acostumado ao oposto. É inclusão financeira real. E, sobretudo, é autonomia. Criticá-lo, portanto, não soa como debate técnico, mas tentativa de enquadrar o Brasil ao papel de coadjuvante no sistema financeiro global.
Quando Lula tentou ampliar a fiscalização de transações para combater sonegação, apanhou pesado do bolsonarismo — com direito a campanha de medo infundado sobre o fim do Pix. Agora, diante de ataques reais vindos de fora, ganha de bandeja a chance de posar como defensor do que funciona no país.
Em meio a isso, os pedidos de sanções feitos por Eduardo Bolsonaro contra o Brasil, na tentativa de interferir no julgamento de seu pai, e o discursos de Flávio Bolsonaro, demandando pressão diplomática nas eleições, ajudam a reforçar as suspeitas de interferência estrangeira. E os riscos dela em um governo que só diga amém aos EUA.
Basta um exercício simples: imagine o Brasil dependente de uma plataforma estrangeira para pagamentos. Sob uma lei como a Magnitsky, bastaria uma decisão em Washington para travar transações no país. Não é ficção, mas risco concreto quando se abre mão de infraestrutura própria.
Para o brasileiro comum, isso não é análise geopolítica abstrata, mas cotidiano. O Pix paga contas, sustenta pequenos negócios, conecta famílias. Mexer com isso é mexer com a vida real. E, na política, isso tem consequência.
Ao atacar o Pix, o governo Trump acaba ajudando o adversário de seu preferido.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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