Câmeras corporais revelam PMs intimidados por patente de tenente-coronel
Câmeras corporais revelam PMs intimidados por patente de tenente-coronel
As câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência do disparo que matou a soldado Gisele Alves Santana, 32, revelaram que os agentes se sentiram intimidados pela patente do companheiro da vítima. O esposo da PM, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53, está preso e é réu por feminicídio e fraude processual. Ele nega ter praticado o crime.
A transcrição das conversas registradas pelos equipamentos consta em um relatório de análise das imagens anexado ao inquérito policial, obtido pela coluna.
O tenente L* chega ao condomínio da vítima às 08h14. Depois, às 08h19min32s, o oficial vai ao apartamento do casal e se depara com o tenente-coronel sem camisa e vestindo uma bermuda preta no corredor que dá acesso aos imóveis.
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Menos de um minuto depois, um bombeiro socorrista entrega a arma que estaria na mão de Gisele ao tenente L.
08h23min11s: Tenente L liga ao seu comando superior e informa que a vítima seria a esposa do tenente-coronel e que ela teria atentado contra a própria vida, bem como explica que os bombeiros estavam prestando os primeiros socorros. Depois, ele declara que ninguém poderia entrar no apartamento após a vítima ser retirada do local e conversa com um médico socorrista sobre o quadro da paciente.
08h52min56s: O capitão R chega ao apartamento e o tenente L repassa informações da ocorrência.
08h53min4s: Tenente-coronel questiona o porquê não desceram com a vítima do andar e o tenente L afirma que Gisele estava sendo estabilizada.
08h55min10s: Tenente L informa o capitão R que iria falar com o tenente-coronel e pergunta se ele deseja acompanhá-lo. Cerca de dois minutos depois, o tenente declara ao capitão que seria interessante que houvesse a presença de militares de patentes elevadas para conversar com Geraldo.
Questionado pelo tenente, Geraldo fala a sua versão da história, declarando que a companheira deu um tiro na cabeça. Ele ressalta que paga diversas contas da casa. Em determinado momento, o oficial declara que o tenente-coronel precisa se vestir para passar por avaliação médica e, depois, repetir o relato às autoridades. Geraldo, então, fala: "Eu vou tomar um banho e pôr uma roupa".
09h07min45s: Na sequência, o tenente-coronel e um senhor grisalho vão em direção à entrada do imóvel, quando o tenente L informa que o apartamento teria que ficar preservado.
Um cabo questiona o tenente L se será feito o teste de resíduo pólvora na mão do tenente-coronel.
Cabo: Vai deixar ele tomar banho e tudo?
Tenente L: Ah billy, não tem como ele ir assim.
Cabo: Se [Geraldo] tomar banho vai perder tudo os baguio [pólvora] da mão, e as conversas dele tá estranha, é tenente-coronel né, porque se fosse um paisano a........
