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Uso de jatinhos de ricaços virou boca-livre que iguala diferenças

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04.04.2026

Uso de jatinhos de ricaços virou boca-livre que iguala diferenças

Primeiro, os homens públicos fazem os maus hábitos. Depois, os maus hábitos os fazem. O uso de jatinhos de ricaços é um velho hábito de políticos e autoridades. Disseminado, se tornou um vício ecumênico, que iguala hipotéticas diferenças.

O fenômeno expõe o caráter pré-falimentar e pós-ideológico do princípio republicano segundo o qual os poderosos precisam explicar suas ações, podendo ser responsabilizados por abusos. Quando pilhados, todos reagem com arrogância, como se não devessem nada a ninguém. Muito menos explicações críveis.

Nos últimos dias, o noticiário deu ao vício uma aparência de epidemia. Entraram para o rol de beneficiários de voos patrocinados o presidenciável Flávio Bolsonaro e três togas supremas: Nunes Marques, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

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Flávio voou para a Flórida no ano passado em avião dos donos da farmacêutica União Química. Estava acompanhado de sua mulher e do advogado Willer Thomaz. Noutra viagem, de Brasília para o Rio de Janeiro, o doutor cedeu sua própria aeronave para Flávio.

Procurado, Flávio reagiu à moda do macaco que senta no próprio rabo para falar da cauda dos outros. Disse que "mantém relação de amizade com o advogado Willer Tomaz. Vacinando-se contra a exploração eleitoral do vício, acusou Lula de usar "aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo."

Embora não tenha mencionado, o filho de Bolsonaro referia-se a uma viagem de Lula para o Egito. Deu-se em novembro de 2022. Antes de assumir o terceiro mandato, Lula foi à COP27 num jatinho do empresário José Seripieri Júnior, que fez fortuna operando no lucrativo ramo dos planos de saúde.

Num instante em que o presidente do Supremo Edson Fachin rala para amarrar um guizo na bainha das togas, vieram à luz dados que ajudam a explicar a relutância dos colegas à edição de um código de ética para o tribunal. Descobriu-se, por exemplo, que Nunes Marques voa costumeiramente em avião do advogado Gustavo Severo.

O doutor é especialista em Direito eleitoral. Advogou para Cláudio Castro junto ao TRE do Rio de Janeiro. Retirou-se da causa antes que o caso subisse para o TSE. Ali, Nunes Marques votou pela absolvição. Antes, favoreceu o cliente do amigo com um pedido de vista que permitiu a Castro organizar a renúncia que antecedeu a decretação de sua inelegibilidade.

Por mal dos pecados, Nunes Marques presirá a Justiça Eleitoral durante as eleições de 2026. Ele alega que "a honra do Judiciário" está resguardada, pois declarou sua suspeição para atuar em casos nos quais o advogado Gustavo Severo atua antes de começar a voar no avião do amigo. Então, tá!

Estalando de pureza moral, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes também reagiram mal às notícias de que viajaram no ano passado em aviões de uma empresa de Daniel Vorcaro. Toffoli respondeu com o silêncio costumeiro. Moraes se queixou das "ilações da fantasiosa matéria."

De Toffoli não se esperava muito, pois antes e sair de fininho da relatoria do caso Master ele já tinha sido flagrado voando no jatinho do empresário amigo Luiz Pastore, na companhia de advogado de diretor do Master, para assistir a uma partida de futebol no Peru. Deu no que está dando.

Quanto a Moraes, a prepotência tropeçou na admissão de sua mulher, Viviane Barci, que desfrutou na sua companhia das asas de Vorcaro. Ela reconheceu por escrito ter contratado os serviços da empresa que tinha como sócio o futuro delator Vorcaro.

Viviane alegou que pagou pelos voos com abatimentos dos honorários de R$ 3,6 milhões mensais que recebia do falecido Banco Master. Algo que torna Moraes beneficiário indireto de um contrato que totalizava a inexplicável cifra de R$ 129 milhões em três anos.

A lista de usuários da Air Master inclui oligarcas do centrão, como o senador Ciro Nogueira, e ex-ministros de Bolsonaro, como Fábio Faria e Bruno Bianco. Todos ignoram que o fetiche por jatinhos é um antigo prenúncio de mau agouro.

Fernando Collor celebrizou-se a partir da parceria com o empresário Paulo César Farias, um coletor de propinas que cruzava os céus no seu Morcego Negro. Quando ostentava o título de homem mais rico do Brasil, Eike Batista dizia ter "satisfação" em ceder o seu jato Legacy para Sérgio Cabral, um dos sete governadores do Rio de Janeiro que passaram pelo sistema prisional.

Se o histórico do vício dos voos patrocinados serve para alguma coisa é para sinalizar que não há boca-livre grátis. Quando os beneficiários de favores deixam de levar em conta a realidade, a realidade sempre contra-ataca, deixando de levar em conta os que a ignoram.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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