Lula na Sapucaí: custo-benefício
Lula na Sapucaí: custo-benefício
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Lula calibrou sua presença na Sapucaí, no domingo, a partir de um cálculo do tipo custo-benefício. Foi presenteado pela Acadêmicos de Niterói, estreante na elite das escolas de samba do Rio, com um desfile-comício. Durante cerca de 90 minutos, a avenida foi convertida num palanque que antecipou o início da propaganda eleitoral em seis meses.
Lula levou a tiracolo Janja, o vice Geraldo Alckmin e um séquito de ministros e apoiadores. Cármen Lúcia, a presidente do TSE, avisara na semana passada: "A festa de Carnaval não pode ser fresta para ilícitos". Farejando o cheiro de queimado, a escola de samba e o homenageado equilibraram-se numa corda bamba entre a politização do desfile e as vedações da lei eleitoral.
A letra do samba-exaltação glorificou Lula e enalteceu sua agenda. Mas não pediu voto. O verso sobre "13 noites e 13 dias" falou da migração da família de Lula para São Paulo, sem mencionar que o número identifica o PT na urna. O refrão com o slogan das campanhas de Lula foi tratado como manifestação cultural, não eleitoral. Bolsonaro foi retratado na avenida como um palhaço vestido de presidiário. Mas não houve menção ao primogênito Flávio, o candidato do "mito" encarcerado.
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Orientado pela advocacia do Planalto e pelo ministro-marqueteiro Sidônio Palmeira, Lula manteve a língua na coleira. Ministros e apoiadores se abstiveram de cruzar o asfalto. Janja desfilaria no último carro alegórico da escola. Mas sua alegoria durou pouco. Na última hora, a primeira-dama foi substituída por Fafá de Belém. O medo venceu a euforia.
Da Sapucaí, a guerra retórica transferiu-se para as redes sociais. Ali, segundo levantamento da Bites, divulgado pelo Globo, o bolsonarismo prevaleceu sobre o petismo em visualizações. Entre o domingo do desfile e a manhã desta segunda-feira, houve 5,8 milhões de interações. O tom era predominantemente negativo para Lula. É nesse ponto que se concentra o esforço do Planalto para reduzir os danos.
Na pesquisa divulgada pela Quaest na semana passada, 57% do eleitorado avaliou que Lula não merece um quarto mandato. O custo será maior do que o benefício se a glorificação da Sapucaí retirar votos de Lula no minoritário bloco dos eleitores independentes, vistos como decisivos no tira-teima das urnas de 2026.
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