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No cinema, a maternidade pintada com as cores do inferno

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27.01.2026

Escritor, doutor em ciência política pela Universidade Católica Portuguesa

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Fim de semana em Lisboa. Assisto a três filmes: "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria", "Morra, Amor" e "Canina".

Ao final da maratona, ligo para a minha mãe e, em lágrimas, peço perdão por ter nascido. Ela pergunta se estou tomando a medicação na hora certa. Minto e respondo que sim.

Não vou fazer um resumo dos filmes. Fico numa apresentação geral: os três pintam a maternidade com as cores do inferno. Ter filhos é difícil? Não. É uma experiência de guerra, cujo desgaste emocional e psicológico só encontra paralelo com conflitos armados.

Os homens, por sua vez, aparecem como inúteis (na versão benigna) ou psicopatas (na versão maligna), incapazes de ajuda ou empatia. Não quero dar "spoiler", mas, num dos filmes, o trauma da mãe é tão profundo que ela acaba virando um cachorro.

Calma, minha gente. Não tenho uma visão romântica do assunto. "A maternidade melhora as mulheres", como dizia Nelson Rodrigues? Nem sempre. Há as que pioram. Há as que transportam para a vida dos filhos as suas ruínas mais pessoais.

Nessas matérias, sou menos Nelson e mais Philip Larkin, que nos deixou um verso que lhe custou o título de "Sir": "They fuck you up, your mum and dad". Traduza quem quiser.

Além disso, o........

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