Estrutura flutuante navega 17.000 km para virar primeiro porto da Antártica
Estrutura flutuante navega 17.000 km para virar primeiro porto da Antártica
Nos primeiros dias de dezembro do ano passado, um rebocador partiu do porto de Portland, no estado americano de Oregon, levando a reboque uma enorme estrutura de aço, com mais de 100 metros de comprimento e maior que um campo de futebol.
Era um flutuante, desses usados para embarque e desembarque de embarcações, e seu destino era uma distante baía da Antártica, a mais de 17.000 quilômetros de distância.
Ali, aquele gigantesco flutuante seria transformado em uma espécie de porto.
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Durante mais de três meses, o rebocador americano Rachel arrastou aquela gigantesca estrutura mar afora, a menos de 15 km/h, cruzando nada menos que dois oceanos: primeiro o Pacífico, depois o Antártico.
No caminho, dadas as características do que estava sendo rebocado — praticamente um porto inteiro —, o rebocador teve que fazer uma série de desvios, a fim de evitar as tempestades.
Mas nem todas as tentativas foram bem sucedidas.
Na parte final da jornada, entre a Nova Zelândia e a Antártica, o comboio chegou a enfrentar ondas de quase 10 metros de altura, o que tornou a travessia ainda mais difícil, lenta e perigosa.
Até que, na semana passada, 69 dias após ter partido dos Estados Unidos, aquele curioso comboio — que foi batizado de Operação Deep Freeze ("Congelamento Profundo", em português) — finalmente chegou ao seu destino: uma baía congelada da Antártica, diante da base americana de pesquisas McMurdo, onde passará de servir de porto: o primeiro do Continente Gelado e o atracadouro de navios mais ao sul de todo o planeta.
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Porto anterior era de gelo
A odisseia de transportar um porto inteiro por quase meio planeta foi uma necessidade, além de um desafio logístico e tanto - na chegada à baía, o comboio teve que ser precedido de um navio quebra-gelo da Guarda Costeira Americana, cuja função era abrir caminho no mar congelado, para que o rebocador pudesse navegar.
Mas tudo isso era uma necessidade, porque o "porto" anterior que vinha sendo usado para o desembarque de equipamentos e suprimentos para a base científica McMurdo havia sido considerado "inutilizável" e "economicamente inviável", após os graves danos que ele vinha sofrendo nos últimos anos.
Ocorre que o píer anterior era feito de gelo e derretia parcialmente a cada final do verão antártico - que, com o aquecimento global, vem se tornando cada vez mais longo e menos frio.
Quando isso acontecia, como ocorreu no ano passado, era preciso "reconstruir" o píer, bombeando água do mar para que ela congelasse na superfície, em camadas sucessivas de gelo, reforçadas com barras de aço e cascalho, feito uma laje de concreto, a fim de dar maior estrutura ao atracadouro, para poder suportar o peso dos caminhões e suprimentos trazidos pelos navios que abastecem regularmente a base — apenas dois por ano, já que aquela parte do Continente Gelado não recebe a visita de navios de turistas, como acontece na Península Antártica, próxima à América do Sul.
O resultado era uma permanente disputa com a natureza, que fazia derreter o porto quase inteiro a cada ano - mais ou menos como tentar enxugar gelo.
Com a mudança, o tradicional e sazonal píer de gelo da Estação McMurdo, que existia desde a criação da base, em 1955 — e que já foi considerado "o porto mais original do mundo" —, deu lugar a uma estrutura permanente e bem mais segura para os trabalhadores, em um dos ambientes mais hostis do planeta.
A Estação Científica McMurdo - uma das mais famosas da Antártica - foi criada quase 70 anos atrás para desenvolver pesquisas no Continente Gelado, e fica próxima ao Monte Erebus, o vulcão ativo mais ao sul do mundo.
No passado, sua localização estratégica (é o ponto mais próximo do Polo Sul, por exemplo) foi usada por exploradores como o britânico Robert Scott e o norueguês Roald Amundsen na corrida para ver quem chegava primeiro ao marco zero do planeta, e até hoje é frequentada por aventureiros, dispostos a fazerem o mesmo.
Uma das últimas tentativas do gênero — e que resultou em uma tragédia indireta - aconteceu 15 anos atrás, em 2011, quando o capitão do barco norueguês Berserk, Jarle Andhoy, chegou à baía da Estação McMurdo disposto a atingir o Polo Sul com uma moto de gelo, deixando o restante da sua tripulação ilegalmente à sua espera no barco, ancorado na baía.
Mas algo aconteceu e eles partiram com o barco, mesmo sabendo que uma violenta tempestade se aproximava.
O resultado foi que todos os três tripulantes desapareceram no mar, bem como o barco, em um misterioso caso jamais explicado, como pode ser conferido clicando aqui ou assistindo um vídeo sobre este perturbador episódio da história recente da Antártica.
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