Trincheira tropical
Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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Livro de Ruy Castro sobre 2ª Guerra no Rio não trata só do Rio nem só da 2ª Guerra
Obra também faz ótimo apanhado da política e das artes na primeira metade do século 20
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Ler Ruy Castro é sempre uma festa. "Trincheira Tropical", seu mais recente livro, não é uma exceção. O subtítulo da obra, "A Segunda Guerra Mundial no Rio", tem algo de enganoso, já que Ruy não se limita nem ao período do conflito, nem ao balneário fluminense. Ele fala do Brasil inteiro durante a primeira metade do século 20 e dedica muitas páginas à Itália, onde lutaram os pracinhas da FEB.
Ruy se concentra em como o cotidiano dos cariocas foi afetado pela guerra. Aí entram histórias de espionagem, racionamento, blecautes etc. Num delicioso exercício etimológico, o autor conta que, a pretexto de vigiar a costa, casais de namorados estacionavam seus carros nas ruas escurecidas do Leme e do Arpoador e se pegavam. Eram as "corridas de submarino", que dicionários até hoje registram como gíria para namorar.
O livro também trata de política, música, literatura. Stefan Zweig e Georges Bernanos, então exilados no Brasil, figuram em várias passagens. Tratando-se de Ruy, não poderiam faltar algumas estocadas na paulista Semana de Arte Moderna, que teve lá suas ligações com o fascismo.
Ao resgatar ótimas histórias e narrá-las com sua prosa cativante, Ruy nos transporta para o período retratado. É quase como se estivéssemos lá. Daí não decorre que o livro não provoque reflexões sobre nossa própria época.
Getúlio Vargas é um dos personagens centrais do livro. Ruy o pinta como foi: um político astuto, mas também um ditador, que não hesitou em mandar matar e torturar. Pessoalmente, não tenho dificuldade em admitir que pessoas são complexas. Monstros podem fazer coisas boas e pessoas boas às vezes cometem monstruosidades, mas esse não é o espírito de nossa época, que exige atestados de idoneidade moral até de figuras históricas que viveram em tempos em que a moral era outra.
É aí que Getúlio emerge como um enigma. Ele era um ditador, e um bem cruel, mas isso não impede que seja hoje celebrado quase universalmente. Em outras partes do mundo, estátuas são derrubadas por muito menos.
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