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Já existe site para IA contratar humanos para fazer aquilo que não consegue

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23.02.2026

Já existe site para IA contratar humanos para fazer aquilo que não consegue

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Já conversamos bastante nesta coluna sobre o impacto da IA nos empregos, mas o assunto desta vez é ela nos contratando.

A plataforma RentAHuman viralizou na mídia internacional por oferecer um serviço em que agentes de IA podem contratar humanos para realizar tarefas no mundo real que elas ainda não conseguem —como fazer uma entrega, resolver um problema específico, tirar fotos de locais ou resolver alguma questão burocrática.

Fiquei curioso e resolvi testar. Criei uma conta na plataforma e o que encontrei ainda é puro suco do hype.

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São poucas tarefas cadastradas, a maioria delas publicadas por humanos, nada muito diferente do que outras plataformas de trabalho freelance já permitem fazer. Inclusive, muitas empresas de IA usam esses serviços para contratar mão de obra para rotular dados de treinamento para suas IAs.

O diferencial do RentAHuman, porém, é a promessa dos próprios agentes de IA participarem da contratação e ofertas de serviço de forma autônoma, sem a mediação de um humano.

É hype, mas não deixa de ser um sinal interessante.

Áreas como estudos do futuro e design especulativo nos ensinam que é preciso levar em consideração até os cenários mais esquisitos. O objetivo não é prever o futuro, mas antecipar os problemas que poderão surgir. No caso da RentAHuman, o que ela aponta é um possível aprofundamento da precarização do trabalho em um mercado em que as máquinas ditam a regra.

E isso já está acontecendo. Na semana passada, a Waymo, empresa do Google que opera táxis autônomos nos Estados Unidos, começou a contratar motoristas da plataforma de entregas DoorDash para fechar as portas dos carros quando os passageiros esquecem de fechar ao sair. A IA dirige, mas é o humano que fecha a porta.

Com o avanço dos agentes de IA, estamos começando a desenhar uma infraestrutura econômica em que máquinas orquestram os serviços e realizam tarefas por nós. Nessa lógica, o humano pode se tornar a peça da última milha, aquele que resolve os gargalos físicos, burocráticos e até cognitivos que a IA ainda não consegue.

Esse modelo não seria uma anomalia, mas uma extensão de algo que já conhecemos bem: a gig economy.

Durante anos, plataformas de corridas, caronas e entregas venderam a ideia de que a tecnologia criava oportunidades, democratizava o acesso ao trabalho e dava autonomia aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, o que vimos foi uma nova forma de precarização com algoritmos definindo preços, rotas e punições.

Agora essa lógica ganha uma nova camada de complexidade. Se antes o algoritmo era o intermediário entre o trabalhador e o cliente, o próximo passo é que ele se torne o próprio contratante. O humano não trabalha para uma empresa mediada por tecnologia, mas para uma tecnologia propriamente dita - que pode ou não revelar a pessoa física ou jurídica que representa.

O mercado já sinaliza algo nessa direção. Em uma das tarefas publicadas no RentAHuman, mais de 7.500 pessoas disputam uma vaga para enviar ao agente de IA um vídeo mostrando a própria mão. A remuneração é de dez dólares. Eu apliquei para essa tarefa, mas ainda não recebi uma resposta.

A pergunta central já nem deve ser mais se um agente de IA algum dia vai contratar humanos, mas sob quais regras isso vai acontecer. A discussão precisa ser institucional para debater o impacto social, econômico e regulatório. Porque quando a conversa finalmente começar, pode ser que o algoritmo já tenha estabelecido as regras.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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