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ANP vai investigar se líquido achado em sítio no sertão do Ceará é petróleo

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ANP vai investigar se líquido achado em sítio no sertão do Ceará é petróleo

Depois de nove meses à espera de uma resposta, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou que vai investigar se é petróleo o líquido encontrado no terreno de um agricultor que tentava encontrar água no subsolo de seu sítio em Tabuleiro do Norte, no sertão do Ceará.

A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando Sidrônio Moreira decidiu pedir um empréstimo para, com suas economias, contratar uma empresa para perfurar um poço, na tentativa de evitar a dependência de carros-pipa durante as secas na região.

Ao cavar cerca de 30 metros de profundidade, para sua surpresa, não encontrou água, mas um líquido viscoso, preto e denso, com características semelhantes às do petróleo.

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Frustrada, a empresa ainda cavou outro buraco a cerca de 50 metros de distância, mas logo no início percebeu que encontraria o mesmo líquido preto. O poço, então, ficou apenas no sonho.

Somente em junho, um filho do agricultor levou a história ao engenheiro químico Adriano Lima, do campus Tabuleiro do Norte do IFCE (Instituto Federal do Ceará).

De posse do material, Adriano o levou ao Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Ufersa (Universidade Federal do Semi-Árido).

Após análises físico-químicas coordenadas pelos professores Frederico Ribeiro e Daniel Valadão, descobriu-se que o líquido é uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades muito semelhantes ao petróleo da região onshore (em terra) da Bacia Potiguar.

Saullo Moreira, filho do agricultor, conta que fez uma ligação para a ANP ainda em junho de 2025, e a agência pediu que fossem enviados mais detalhes.

No dia 24 de julho do ano passado, ao lado do professor Adriano, eles enviaram um e-mail com todas as informações técnicas da descoberta. A família aguardou resposta até a terça-feira da semana passada, quando a ANP finalmente respondeu.

No e-mail, a agência pede que a região do poço permaneça intocada e informa que uma equipe técnica irá ao local para analisar a descoberta.

Questionada pelo UOL, a ANP informou que a data ainda está sendo definida, "mas espera-se que ocorra nas próximas semanas".

Por se tratar de material poluente, a ANP também comunicou a Superintendência Estadual do Meio Ambiente, que deve realizar uma visita técnica ao local ainda nesta semana para avaliar possíveis riscos ambientais.

"Recebemos essa notícia [da ANP] com muita alegria. Foi um grande passo para a gente realmente descobrir se é petróleo. Nossa esperança é que seja uma boa bacia e seja viabilizada a exploração", diz Saullo.

Segundo a Lei 9478, de 2017, a exploração de petróleo só pode ser feita por empresa autorizada pela ANP.

"Desde a descoberta, a gente não mexeu mais no poço. A novidade boa é que choveu, e a gente não está mais comprando água de carro-pipa", diz.

Desde a descoberta, pessoas têm aparecido para tentar comprar terras próximas. "Já no sítio do meu pai ninguém chega para dar proposta, porque ele não começa nem conversa", brinca.

Mais análises e risco

Adriano explica que enviou o material também para análise da UFC (Universidade Federal do Ceará).

"Existe um grupo de pesquisa com expertise em materiais petrolíferos e óleos que fará outras análises mais detalhadas desse óleo para ajudar na comprovação", diz.

O pesquisador do IFCE afirma que, caso se confirma a presença de petróleo, é impossível saber o tamanho da reserva ou a viabilidade da extração.

"Se a gente for falar em um processo de exploração, existe um nível de incerteza muito alto. Tem estudos que dizem que na faixa de 50%, 60% para você furar algo e ter de fato produtividade ali dentro", diz.

Geralmente, as empresas só vão fazer uma empreitada dessa se tiverem todos os dados levantados e interpretados. Para isso, precisam ter todos os dados técnicos disponíveis: ensaios sísmicos, gravimétricos e, além disso, precisam ter um time de especialistas para interpretar esses dados e ter segurança no que vão fazer. É muito comum nesses processos você ter operações mal-sucedidas e abandono.Adriano Lima, engenheiro químico

Um ponto ressaltado por Adriano é que as pessoas da região não devem fazer escavações em busca de petróleo.

"Qualquer tipo de intervenção dessa natureza, sem os equipamentos e orientações adequados, pode contaminar o lençol freático ou o aquífero, prejudicando ainda mais toda a comunidade e transformando a situação em um crime ambiental", finaliza.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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