Flávio Bolsonaro vai baixar o valor da aposentadoria e do salário mínimo?
Flávio Bolsonaro vai baixar o valor da aposentadoria e do salário mínimo?
Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN) não forneceu muitos detalhes, mas insinuou em entrevista à Folha de S. Paulo que o plano de governo da oposição inclui uma nova rodada de reformas da Previdência e da legislação trabalhista.
"O modelo está estourando. Só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais", justificou.
O recado de Marinho tem endereço certo: a Faria Lima. Quem acompanha o noticiário econômico sabe que a principal demanda do mercado financeiro é a quebra do vínculo entre o salário mínimo e os benefícios da Previdência. A medida, dizem os porta-vozes do setor, é essencial para colocar as contas públicas em dia e baixar os juros.
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Mas falta combinar com o eleitorado. Quando a campanha de fato começar, em agosto, o candidato Flávio Bolsonaro vai mesmo pedir votos defendendo que um aposentado possa ganhar menos de um salário mínimo? Lembrando que, dos cerca de 40 milhões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 70% ganham até R$ 1.621 — o atual valor do mínimo fixado pelo Governo Federal.
E quanto à valorização do salário mínimo acima da inflação, uma das marcas registradas das gestões de Lula: Flávio Bolsonaro vai falar abertamente sobre a possibilidade de retomar a política do mandato de seu pai, abortando os reajustes reais?
Se não for devidamente provocado, é pouco provável que o candidato do PL cometa sincericídio em público durante a campanha eleitoral. De todo modo, é bastante revelador da ideologia do partido que caciques do PL joguem aos quatro ventos a disposição de sacrificar aposentados, depois de terem atuado para barrar no Congresso a proposta de tributação dos super-ricos.
Para quem tem a memória curta, aí vai um breve lembrete: a sigla de Flávio Bolsonaro tentou com todas as forças derrubar a tributação mínima de até 10% sobre a minúscula minoria de 141 mil brasileiros com renda anual superior a R$ 600 mil. A taxa foi criada pelo Governo Federal para compensar a isenção de imposto de renda concedida a cerca de dez milhões de contribuintes que ganham até R$ 5 mil mensais.
"Ele [o governo] que se vire", resumiu Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, em agosto do ano passado, numa inequívoca demonstração do compromisso com a "responsabilidade fiscal" defendida por sua legenda.
Sim, é verdade que muitos economistas sérios têm alertado para os crescentes impactos financeiros decorrentes da vinculação entre salário mínimo e benefícios previdenciários. Em determinado momento, talvez não reste alternativa a não ser quebrar essa regra para cessar a trajetória de alta dos gastos públicos.
A questão, como sempre, é entender se apenas a base da pirâmide social brasileira vai pagar a conta do necessário ajuste fiscal.
A bomba vai explodir apenas no colo de quem ganha um salário mínimo por mês? Ou os super-ricos, que pagam proporcionalmente menos tributos do que qualquer empregado CLT, também serão convidados para o rateio?
Pelo histórico do PL, não há dúvidas sobre o plano de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, Sóstenes Cavalcante e companhia limitada. Aposentado, fica a dica: a depender do resultado das eleições, é melhor já ir enxugando as despesas.
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