Disputa no clã bolsonarista tem elementos de BBB e tragédia de Shakespeare
Se por um lado a disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro guarda algo de tragédia à la Shakespeare, com disputa entre filhos, madrasta e servos fiéis, por outro ela se aproxima cada vez mais do "Sincerão" do BBB, com aquela reunião de condomínio televisionada em que todo mundo grita com todo mundo, ameaça e expõe as estratégias de conchavo dos grupos.
O bolsonarismo, órfão de seu monarca original, que está inelegível, enfermo e progressivamente ausente, vive um drama sucessório que mistura "Rei Lear" com reality show.
Enquanto Bolsonaro sofre as desventuras de um condenado pela Justiça que deve cumprir a pena em regime fechado, e não em "uma colônia de férias", sua família encena atos que lembram os personagens da tragédia "Rei Lear", uma obra sobre herança, vaidade, lealdade e a corrosão do poder quando ele se confunde com laços familiares.
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Na história shakespeariana, Lear decide dividir o reino entre as filhas ainda em vida, exigindo delas provas públicas de amor e fidelidade. O gesto, longe de garantir estabilidade, inaugura uma guerra silenciosa (e depois aberta) pelo trono.
Na tragédia bolsonarista, a divisão do poder não é consequência de uma decisão espontânea do rei. Além disso, o "reino" em disputa não é um território, mas um capital simbólico valioso, que é a liderança de uma base radicalizada, ruidosa, ainda numerosa e que exige herdeiros, mas rejeita adultos na sala.
Nesse enredo, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, tenta........
