Na ONU, Lula alinhou o Brasil com Rússia e China na nova Guerra Fria
Na ONU, Lula alinhou o Brasil com Rússia e China na nova Guerra Fria
O diplomata inglês Henry Wotton definiu o embaixador, em 1604, como "um homem honesto enviado ao exterior para mentir pelo bem de seu país". A linguagem diplomática é revestida de dissimulações, eufemismos e tergiversações. A ONU é o palco mundial deste teatro.
Quando a União Soviética invadiu a antiga Tchecoslováquia em 1968, chamou de "ajuda fraterna" ao povo tcheco. O Muro de Berlim foi batizado de "Muro de Proteção Antifascista". Quando a URSS parou de mandar dinheiro e Cuba entrou em colapso em 1990, Fidel Castro chamou o caos instaurado de "período especial".
A China, seguindo soviéticos e nazistas, trata seus campos de concentração como "centros de educação". O massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, foi apenas uma contenção de contrarrevolucionários. Quase toda ditadura dos últimos cem anos se dizia "república popular". O Holocausto judeu da Segunda Guerra era tratado pelos nazistas como "Solução Final". Na entrada de Auschwitz, lia-se "o trabalho liberta".
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Países tomam decisões e fazem escolhas polêmicas o tempo inteiro, mas raramente assumem com todas as letras o que fazem. Como Fidel Castro dizia, ditadores acreditam que vão contar com a absolvição da história, especialmente quando seus propagandistas e idiotas úteis aparelham universidades pelo mundo.
Para entender relações internacionais e geopolítica, é preciso passar pela nuvem cinzenta de palavras desenhadas por especialistas em dizer muito sem falar nada. As ações, como sempre, são o que importa.
O Brasil ontem foi alinhado ao eixo autocrático da Rússia e China no grande palco da diplomacia mundial. Há uma Guerra Fria, e Lula tem lado.
Esse tipo de alinhamento se identifica pelas escolhas: quem é tratado como adversário, quem é blindado de cobranças, quem é apresentado como parceiro, quem dita sua visão de mundo. Basta prestar atenção.
O lado de Lula é o da Rússia e da China. Não acredite em mim, entenda o que foi realmente dito por ele.
Os Estados Unidos não foram citados pelo nome, mas Lula falou dos "crescentes desmandos das superpotências", da "proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo" e do "recrudescimento de tentações........
