Strauss e o ‘ar do tempo’
Na sua crónica no Público dedicada ao ‘ar do tempo’, José Pacheco Pereira chama a atenção para o regresso da exaltação da força, do fascínio pela guerra, do culto da hierarquia e da divisão do mundo entre amigos e inimigos. Basta observar a crescente indulgência perante a violência política, o desprezo pelas instituições liberais ou a facilidade com que a linguagem da força voltou a ser apresentada como sinal de coragem para concluirmos que tem razão.
É por reconhecer a importância do argumento que julgo necessário discutir as suas formulações. Pacheco Pereira escreve que o nazismo se alimentou de «toda uma literatura teórica de Leo Strauss a Mosca, de Pareto a Barrès». Ora, a associação é problemática no caso de Strauss, que foi crítico do liberalismo moderno e da fragilidade intelectual da República de Weimar. O filósofo germano-americano desconfiava de uma ordem política incapaz de justificar as suas próprias conceções de justiça, autoridade e bem comum.
Strauss não acreditava que uma........
