O sprint necessário
A crise energética tem a virtude perversa de nos obrigar a pensar - e, sobretudo, a recordar. Quando a luz falha, quando o preço do kWh sobe e a indústria hesita em investir, o debate deixa de ser académico e passa a ser uma questão de sobrevivência económica e de soberania. É nesse limiar entre desconforto e urgência que a Europa está agora: quer segurança energética sem voltar ao tempo em que energia era sinónimo de complacência.
Há um erro do passado do qual se retiram importantes lições. A Alemanha encerrou centrais nucleares e acabou por ficar dependente de fornecimentos externos, em particular do gás russo. Não é preciso discutir, em abstrato, se a decisão ‘era a correta’. Importa, sim, reconhecer o padrão: ao desarmar uma capacidade estável e relativamente previsível, e ao substituí-la por dependências geográficas e contratuais frágeis, cria-se vulnerabilidade. Em questões energéticas não se perdoam ingenuidades: a geopolítica cobra........
