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Morrer por Sexo

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18.02.2026

Ninguém avisa quando acontece, mas há um momento preciso em que o corpo doente deixa de poder querer. Pode ser tratado, medicado, acompanhado, mas deixa de ser autorizado a desejar. A partir do diagnóstico terminal, a sociedade retira-lhe esse direito com a mesma naturalidade com que retira a carta de condução a um idoso. Espera-se resignação, compostura e uma discreta preparação para o fim. Como se a morte e a vida fossem incompatíveis enquanto o coração ainda bate.

Já estive ao lado de uma cama onde o silêncio pesava mais do que qualquer dor. Lembro-me de pensar que ninguém perguntava o que aquela pessoa ainda queria sentir, mas apenas o que ainda podia suportar. Há uma diferença abissal entre as duas coisas.

Em 2025, Dying for Sex, minissérie da FX distribuída internacionalmente pela Disney , inspirada na história real de Molly Kochan, levou este incómodo para o centro do ecrã. Molly, com cancro terminal, explorou a sua sexualidade nos últimos meses de vida, sem pedir desculpa, sem lições de moral, sem transformar a morte em oportunidade de redenção. O escândalo não residiu no sexo, mas antes na ousadia de alguém sentir prazer quando "deveria" estar a despedir-se.

Mas despedir-se de quê, exactamente? Da vida? Ou da ideia de que a vida........

© SOL