Sete dias, sete noites
Segunda-feira, 27 de abril
No noticiário da noite da TVI, Sandra Felgueiras convida Toy para uma entrevista sobre o festival da Eurovisão, dias depois de o artista ter subido ao palco dos Prémios Play da RTP para, de forma truculenta, censurar a presença de Israel na Eurovisão, bem como a decisão de os representantes portugueses Bandidos do Cante não boicotarem a ida à Eurovisão. “Nunca digam que cultura e política não se misturam”, exclamou Toy na altura, apelidando Netanyahu de “assassino de crianças” e Trump de “son of a bitch”.
Antes da entrevista propriamente dita, uma peça de reportagem de Alexandra Monteiro abria com a frase de que “longe vão os tempos em que a música servia apenas isto”, peça essa pintada com imagens de um bailarico (inserir emoji revelando incredulidade). Esquecendo todo o papel político da música de intervenção portuguesa nos anos 60 e 70, a jornalista insistiu dizendo que “lá fora já se usa a música como arma há muito tempo” (mostrando então imagens de Bruce Springsteen). Isto passou na TVI a 27 de abril, dois dias depois de termos celebrado uma data tão musical e cantada como a do 25 de Abril…
Na entrevista propriamente dita, Toy foi mais conservador do que nos Prémios Play, confessou que, se tivesse a idade dos Bandidos do Cante, provavelmente também aceitaria ir à Eurovisão, nota-se que teve uns dias para pensar se havia uma forma mais elegante de dizer que é uma vergonha a Rússia estar boicotada da Eurovisão e com Israel moita carrasco, toda a gente lhe passa a mão pelo pelo. Sandra Felgueiras ainda contrapôs com o argumento de que a Rússia controla a televisão que envia o candidato à Eurovisão, ao passo que a televisão que envia o candidato de Israel é “independente” do Governo, narrativa essa que apenas serve para aliviar a consciência de quem acredita nestas fábulas.
Terça-feira, 28 de........
